Maringá - A disposição e força de vontade que muitas vezes parece faltar aos jogadores profissionais de futebol, sobra entre os atletas que participam da 5 Copa Brasil de Futebol para Amputados, que está sendo disputada em Maringá. É consenso entre os atletas que o esporte ajudou a todos a verem a vida de uma nova forma e possibilitou novas experiências.
À primeira vista, o futebol jogado só com uma perna e com o auxílio de muletas, parece difícil. Mas os atletas demonstram habilidade com suas arrancadas, lançamentos, dribles e muitos gols. Durante os jogos, um dos atletas fez um gol de bicicleta, comemorado até pela equipe adversária.
Entre os atletas, a regra básica é não ter um dos membros inferiores. Para jogar, os goleiros precisam ter um dos braços amputados ou com má formação. O presidente da Associação Brasileira de Desporto para Amputados (ABDA), Ademir Cruz de Almeida que atua como zagueiro , por diversas vezes foi convocado para a seleção brasileira.
Almeida perdeu a perna aos 12 anos, quando foi atropelado na calçada por um veículo, em Maringá, no dia de Natal. Ele lembra que no início é muito difícil aceitar a perda, mas com o tempo foi se adaptando e o esporte abriu novos horizontes. ''Graças ao futebol pude viajar para outros países e fazer novas amizades. Além disso, o esporte melhora nossa auto-estima e muda até a maneira como nos relacionamos com as outras pessoas'', explica. Almeida conta que sempre quando encontra alguém com o mesmo problema o incentiva a participar de alguma atividade física.
Com a habilidade e a disposição física que desenvolveram jogando, muitos atletas só usam as muletas durante as partidas. No restante do tempo eles andam com próteses e alguns nem parecem ter perdido uma das pernas.
Dáfanes Araújo é outro que destaca a importância de se praticar um esporte, mesmo com certas limitações. Ele é bancário e atacante da equipe de Maringá, a única do Paraná na competição. Araújo conta que perdeu a perna há 24 anos, devido a um tumor. No entanto, hoje tem uma vida completamente normal. ''Tenho uma vida normal como as outras pessoas. Trabalho, sou casado, tenho um filho e posso dizer que o esporte me ajudou nisso. Todos aqui têm um ânimo diferente em relação ao problema de não ter um dos membros'', completa.
Ele contou que descobriu o futebol para amputados durante uma pesquisa na internet e até se mudou para Maringá para começar a praticar. Hoje, Araújo mora em Recife, mas veio defender o time paranaense, devido às amizades que criou. ''A gente vê muitas pessoas que vêm um dia jogar e depois nunca voltam. Sempre incentivo todos a continuar, porque tudo melhora com o esporte'', argumenta.

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