Belo Horizonte - A série de maus resultados, pressão dos torcedores e a resistência de parte do grupo de jogadores em relação aos seus métodos de trabalho levaram o técnico Emerson Leão a pedir demissão na manhã de ontem, deixando o comando do Cruzeiro. Pouco mais de dois meses após assumir o clube mineiro como um nome de consenso entre dirigentes e a torcida, Leão se despede com um retrospecto negativo: em 13 jogos, conquistou cinco vitórias, um empate e sete derrotas, sendo a última na noite de quarta-feira, por 1 a 0, para o Corinthians, no Pacaembu.
Foi o terceiro revés consecutivo do atual campeão brasileiro na competição nacional, o que acabou por tornar insustentável a permanência do treinador no cargo. Ontem pela manhã, ele se reuniu com o vice-presidente de Futebol, Zezé Perrella, e pediu afastamento do clube. Na última segunda-feira, Leão já havia manifestado a vontade de deixar a Toca da Raposa, mas foi convencido pelos dirigentes celestes a persistir no cargo.
''Eles me pediram que eu tentasse mais uma vez e eu tentei'', revelou ontem o técnico, demonstrando resignação.
No curto período em que esteve à frente do clube mineiro, o treinador enfrentou também a resistência de alguns atletas devido ao seu rígido método de trabalho. Leão estabeleceu que os treinamentos pela manhã deveriam começar às 8h30, uma hora e meia antes do horário estabelecido por seus antecessores Vanderlei Luxemburgo e Paulo César Gusmão.
Questionado se faltou apoio e empenho do grupo ao seu trabalho, ele desconversou. ''Eu não comento atleta. Prefiro falar da amizade que eu tenho com os funcionários e com toda a diretoria'', disse.
De acordo com a assessoria de imprensa do Cruzeiro, a rescisão contratual com Leão foi feita de forma amigável, e o clube abriu mão da multa prevista. Na entrevista que concedeu em São Paulo, o ex-treinador celeste, de 55 anos, demonstrou até um certo alívio com a decisão de deixar o cargo. Mas evitou falar sobre a possibilidade de assumir o lugar de Cuca no São Paulo, caso este aceite a proposta milionária oferecida pelo Al Helal, da Arábia Saudita.
A princípio, para a partida de amanhã contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, Ney Franco, técnico do time de juniores, comandará a equipe mineira.

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