Fonseca comemora boa fase da sensação do Paulista
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terça-feira, 09 de fevereiro de 2010
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Um dos líderes do Campeonato Paulista com 16 pontos. Cinco vitórias em sete jogos. Nove gols marcados nas últimas quatro partidas. Defesa menos vazada do torneio com apenas três gols sofridos. Não, o time mencionado não é o Santos de Robinho, Neymar e Cia, mas sim a sensação do Estadual de São Paulo, o Botafogo. Um dos responsáveis diretos por esse desempenho do time de Ribeirão Preto é o londrinense Roberto Fonseca.
Campeão Paulista em 85 com o São Paulo, o ex-zagueiro tenta repetir o feito agora como treinador. Se o título não vier, outra recompensa já foi dada a Fonseca: o resgate de um dos mais tradicionais clubes do interior paulista, que tenta ressurgir após anos tenebrosos. ''Está sendo um verdadeiro resgate mesmo. O time foi vice-campeão em 2001 (quando revelou o goleiro Doni e os atacantes Leandro e Robert) depois passou por uma fase meio negra, igual ao Londrina'', comparou Fonseca.
O treinador está em sua terceira passagem pelo Botafogo. No ano passado, ele chegou com o time na lanterna e o salvou do rebaixamento. Saiu, passou pelo Criciúma, livrou o América-RN da queda na Série B do Brasileiro e retornou, conforme já havia prometido, para montar o Botafogo para o Paulistão. Escolheu os jogadores a dedo. Mesclou jovens promessas com jogadores rodados, calejados, como o atacante André Neles, ex-Atlético-MG e Palmeiras, e o volante Augusto Recife, campeão brasileiro com o Cruzeiro, em 2003. Por pouco não teve os astros italianos Cristhian Vieri e Francesco Cocco, que chegaram a ser anunciados pelo presidente Luís Pereira como reforços do clube no ano passado, mas acabaram desistindo de enfrentar o escaldante sol de Ribeirão Preto.
''Nosso segredo é a união dos setores, com o banco funcionando muito bem. Não temos a dependência de um jogador especificamente, tanto que nossos gols são distribuídos por vários atletas'', apontou Fonseca. ''O equilíbrio talvez seja a palavra-chave para esse amadurecimento cedo na competição'', resumiu.
Outra peça-chave da boa campanha é o cumprimento das promessas e obrigações. Assim como no Londrina, as receitas do clube passam primeiro pela Justiça do Trabalho, que retém uma parte para amortização de ações trabalhistas e libera o restante para o clube se manter. A cota líquida paga pela Federação Paulista de Futebol (FPF), é de R$ 1,05 milhão (R$ 1,4 milhão é o valor bruto). Além disso, há um grupo de investidores que colabora.
''Desde o ano passado, os pagamentos são feitos religiosamente em dia, o bicho é muito bom. O trabalho voltou a ser organizado e conseguimos trazer jogadores de nome'', ressaltou.
Sábado, o time recebe o Palmeiras no Estádio Santa Cruz, em um jogo que pode consolidar de vez o Botafogo como grande nome desse Paulistão. Porém, o treinador encara de outra forma. ''O Palmeiras é mais um jogo em que vamos enfrentar o adversário de igual para igual. Considero um clássico pelo momento que estamos vivendo e pela nossa situação na tabela, tanto que mesmo se perdermos, o Palmeiras não nos passa. É um jogo que terá 40 mil torcedores no estádio e muitos atrativos'', comentou o treinador. ''O clima é de total euforia aqui''.
Fonseca conseguiu se firmar no interior de São Paulo. É ídolo em Itápolis, pois levou o Oeste duas vezes para a Primeira Divisão paulista. Cenário bem diferente do que encontrava no Paraná. Em sua última passagem pelo Londrina, em 2007, foi bastante questionado. Até por isso, faz questão de comemorar o bom momento. ''Melhor impossível. Aqui, em São Paulo, não posso reclamar'', disse.
Vacinado, ele não deixa se iludir com a campanha e prefere não fazer previsões, nem se o time vai engrenar e se consolidar no G-4 ou se é mais um mero ''cavalo paraguaio''. ''Não adianta fazer previsões, nem boas nem ruins. Temos é que trabalhar para manter o viemos fazendo''.
O bom trabalho no comando do Botafogo, já começa a render convites ao treinador, que sonha em trabalhar em um grande clube. ''Para tudo existe uma preparação e tudo é uma consequência. Não comecei treinando time grande nem nunca ganhei nada de mão beijada. Foi sempre com meu trabalho. Deixo nas mãos de Deus que ele sabe o que faz'', concluiu.


