Fomos objetivos. E taticamente, melhores
Fomos objetivos. E
taticamente, melhores
Élber Geovani
Especial para a Folha
De um modo geral, o Brasil me agradou na abertura do Mundial, mas agora gostei muito mais. Não sei se vocês notaram, mas, diante da Escócia, marcamos um gol e esperamos o adversário em nosso campo. Quando os escoceses empataram, aí é que saímos para buscar a vitória. Contra o Marrocos, ao contrário, foi outro jogo. Soubemos tomar as iniciativas desde o início. Mostramos um futebol claramente objetivo. Taticamente, mudamos para melhor.
Até o Aldair, que não me convenceu na estréia, esteve seguro. A Seleção me pareceu bastante equilibrada. Não creio que a gente deva dar importância ao atrito entre Dunga e Bebeto. São coisas que acontecem. Penso que o Bebeto exagerou ao reagir aos gritos do companheiro.
Para quem conhece bem o Dunga - no meu caso, acompanhei-o de perto no futebol da Alemanha - sabe que ele é assim mesmo: um cara que se transforma em campo, mas um amigão nas mais diferentes situações. É claro que fica chato levar o dedo no nariz. O Matthaus, meu colega de Bayern Munique, também tinha o mesmo costume, até que um dia o alertei sobre isso. Hoje, aprendi que a gritaria é normal no calor de uma disputa. De repente, você acorda mais para o jogo. No fim, o que importa é ganhar. O Bebeto deveria encarar tudo numa boa.
Quanto ao futebol que apresentamos ontem, faço apenas algumas ressalvas. O Ronaldinho não poderia recuar tanto. Ele fugiu muito da área. Não era necessário. Nosso meio-de-campo criava boas opções e encostava no ataque. Só que o Rivaldo prendia muito a bola. Outro detalhe: o Edmundo entrou meio desligado. Talvez a ansiedade o tenha atrapalhado. Mas é um talento indispensável ao esquema de Zagallo. Enfim, estamos no caminho certo. Podemos evoluir ainda mais. Temos tudo para conquistar o penta.
- Élber, ex-jogador do Londrina e da Seleção Brasileira, atua no Bayern Munique





