FOLHA ESPORTE CLUBE
A Copa em Curitiba 1
Como era mais do que esperado, a Câmara de Vereadores de Curitiba aprovou o polêmico projeto de transferência de potencial construtivo ao Atlético como forma de viabilizar a reforma e conclusão da Arena para a Copa do Mundo 2014. Assim, os vereadores autorizam a prefeitura a emitir os títulos no valor total de R$ 90 milhões, que o clube poderá negociar no mercado imobiliário ou, o que é mais provável, utilizar como garantia para o financiamento das obras de sua praça esportiva.
A Copa em Curitiba 2
Na prática, como o governo estadual já antecipou que o potencial será aceito como lastro para a liberação de recursos para as obras na Arena pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento Econômico e pela Agência de Fomento, nos próximos quatro anos será levada a cabo uma operação de transferência de recursos públicos para entidade privada, já que o estádio continuará sendo patrimônio exclusivo do Atlético. Esta solução tida como ''mágica'' pelas autoridades deixará a cargo do governo todos os riscos com o financiamento de pelo menos dois terços das obras da Arena - o outro terço, que de acordo com o clube diz respeito ao projeto original de conclusão do estádio, sem obedecer às exigências da Fifa, será pago com recursos próprios.
A Copa em Curitiba 3
Apesar de ser legal e eticamente questionável, o projeto foi aprovado na Câmara sem maiores contestações, e em breve outras leis complementares devem ter o mesmo destino na Assembleia de Deputados. A única exigência dos vereadores foi a criação de mecanismos de controle sobre a transferência e utilização de recursos na obra, algo de pouco efeito prático.
A Copa em Curitiba 4
Enquanto nos bastidores a Copa em Curitiba progride a passos largos, a realidade nas ruas passa muito longe daquela imaginava nos gabinetes políticos. Basta dar uma volta pela cidade em dia de um clássico como o Paratiba do último sábado para se perceber a falta de estrutura para grandes eventos que a cidade apresenta. Apesar do jogo ter apenas 18 mil pagantes e uma aparente tranquilidade nos arredores do Couto Pereira, brigas e confusões entre torcedores foram comuns em vários pontos da cidade.
A Copa em Curitiba 5
O confronto mais grave ocorreu quando um grupo de torcedores paranistas armou uma tocaia para alguns coxas-brancas nas imediações da rodoviária. O conflito, que ocorreu ao lado da linha férrea - de onde os vândalo retiraram as pedras utilizadas como arma -, durou longos oito minutos, até a chegada não menos turbulenta da polícia e seus disparos com balas de borracha, sem maiores preocupações com a população que observava a briga ou com a detenção das dezenas de envolvidos na confusão.
A Copa em Curitiba 6
A falta de preparo dos policiais para conflitos em eventos esportivos não chega a ser novidade - basta ver o que aconteceu no dia do rebaixamento do Coritiba no ano passado -, mas prova que não houve investimento nesta área. Pelo visto, as autoridades preferem torcer para que Curitiba não receba seleções caracterizadas por possuir torcedores violentos.
A Copa em Curitiba 7
As brigas entre torcidas não se restringem aos grandes clássicos. Isto porque duas facções rivais de torcedores do Atlético têm protagonizado confrontos violentos nos arredores da Arena, provando que o esquema especial de segurança implantado no estádio visando a Copa não tem dado resultado.





