Foi um jogo de cartas marcadas
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terça-feira, 10 de junho de 1997
Agência Folha 
Arquivo FolhaNa defesaPetraglia denuncia pressão do Clube dos 13: As forças que dominam o futebol brasileiro já estão consolidadasO presidente licenciado do Atlético Paranaense Mario Celso Petraglia disse ontem que deveria ter ajudado o clube sem nunca ter saído daqui da província. Segundo Petraglia, essa é a principal lição que ele tirou do episódio do escândalo do futebol, em que se envolveu como um dos principais personagens.
Para ele, sua punição foi um jogo de cartas marcadas, uma espécie de resposta a sua pretensão de exercer maior influência no futebol brasileiro. O dirigente foi um dos principais articuladores do Clube dos 11, um contraponto ao Clube dos 13, que reúne os maiores times brasileiros.
O Clube dos 11 queria rever a divisão da cota de compra do direito de transmissão dos jogos pelas emissoras de televisão. Segundo ele, os 11 mais pobres ficam com apenas 15% do valor pago pelas emissoras para transmitir os jogos.
As forças que dominam o futebol brasileiro já estão consolidadas. O dirigente não dá os nomes, mas indica onde essas forças estão. Na CBF, no Clube dos 13. Tem ainda alguns dirigentes de federação e dos clubes mais fortes.
Sobre seu envolvimento com Mendes, Petraglia foi taxativo. Não dei dinheiro a ele. Quando ele ligou pela segunda vez e eu disse já foi, estava querendo me livrar dele. Nunca dei autorização para minha secretária transferir qualquer dinheiro que fosse.
Mario Celso Petraglia, disse ontem que o clube pode vender pelo menos um dos seus dois jogadores mais caros, Paulo Rink e Oséas. Os passes dos dois atletas estão avaliado em mais de R$ 10 milhões. Oséas já atuou na seleção brasileira.
Petraglia disse que o clube ainda vai brigar para participar do Brasileiro. O Atlético só espera que a CBF oficialize ao clube a pena imposta pela decisão do STJD, para entrar com um recurso administrativo junto à confederação. Segundo Petraglia, o código disciplinar da entidade determina que, mesmo os times punidos com suspensão, ficam obrigados a participar das competições em que já estejam inscritos. Pelo menos é esse o nosso entendimento. O dirigente afirmou que, caso a CBF não entenda dessa maneira, o clube deve ir à Justiça comum.


