Fogueira das vaidades no Timão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de novembro de 1998
Luiz Claudio Oliveira 
Marcelinho Carioca e Wanderley Luxemburgo continuam, entre tapas e beijos, uma relação que expõe um pouco do pior do caráter dos dois. Marcelinho, como menino travesso, foi punido por não ter ido para a cama na hora certa. No momento da bronca, reclamou com seus pares tentando uma insubordinação e não conseguiu o apoio por não ser o líder que pensa que é. Do outro lado, por ainda não saber se é realmente o comandante que pensa ser, Luxemburgo impõe regras ditatoriais a seus comandados e, como todos sabem, quando a pressão é grande, a panela pode explodir. Deu graças a Deus por ter conseguido vencer o Vitória para a crise não explodir em suas costas, mas estava visivelmente nervoso, quase descontrolado.
Com tudo isso, volta à tona uma questão antiga dentro do futebol: para que serve a concentração?
Para quem não sabe, os clubes confinam, em um hotel ou no próprio Centro de Treinamento, os jogadores que podem participar de uma partida. Eles são obrigados a ficar ali por um ou dois dias seguidos antes de cada jogo. Como em tudo na vida, há o lado bom e o lado ruim.
O lado bom é que a proximidade ajuda na amizade de atletas que têm vida de cigano e pouco tempo e oportunidade de conhecer seus companheiros. Também serve para que os jogadores, principalmente os solteiros, alimentem-se e durmam adequadamente antes de uma competição importante. Serve ainda para que jogadores e comissão técnica troquem informações sobre os adversários que enfrentarão e a melhor maneira de vencer.
Por outro lado, as constantes concentrações deixam os jogadores longe das famílias e dos amigos. Isso pode provocar a exacerbação de sentimentos como a saudade, o tédio e, consequentemente, a depressão, prejudicando o rendimento do atleta. O excesso de regras também pode irritar os comandados que não gostam de ser tratados como crianças e tendem a rebelar-se.
Interessante notar que foi neste mesmo Corinthians, onde agora surge essa guerra de egos, que o regime de concentração foi mais contestado dentro do futebol brasileiro. Comandados por Sócrates, Vladimir e Casagrande, os jogadores do Timão criaram um movimento chamado Democracia Corinthiana, aboliram a concentração e conquistaram o título de bicampeão paulista, vencendo em 1982 e 1983.
Como diz o ditado popular, se concentração vencesse jogo, o time da penitenciária seria imbatível.
Salto alto


