Fluminense protesta contra paralisação da Série C
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quarta-feira, 27 de outubro de 1999
Por Rodrigo Mattos (Especial para AE) 
Rio, 28 (AE) - A paralisação da Série C do Campeonato Brasileiro - a última partida foi realizada no dia 10 de outubro
pela primeira fase da competição - tem causado grandes prejuízos aos clubes. O vice-presidente administrativo do Fluminense, José de Souza, disse que o clube já perdeu cerca de R$ 300 mil, por não ter disputado as duas partidas pelas quartas-de-final. Com uma folha mensal no futebol de R$ 700 mil, o Tricolor teve de recorrer a empréstimos para não atrasar o pagamento dos atletas. "Um clube de futebol precisa jogar", reclama Souza.
O dirigente culpa a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pelas dificuldades financeiras do Tricolor. "Queria ver eles pararem a Série A do campeonato", desafiou. "A CBF não está preocupada com o destino do Fluminense." Em decisão administrativa, o diretor do Departamento Técnico e vice-presidente da CBF, Alfredo Nunes, suspendeu as partidas pela segunda fase da Série C até o julgamento, no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD), dos recursos movidos por Anapolina-GO e Vila Nova -MG. A atitude de Nunes fere o artigo 180 do Código Brasileiro Diciplinar de Futebol (CBDF), que impede a paralisação de qualquer campeonato por causa de recursos.
Segundo Souza, os R$ 300 mil reais de prejuízos são referentes à renda de dois jogos, pelas quartas-de-final da Série C, e ao patrocínio da Unimed. "O compromisso com a empresa prevê uma certa exposição na mídia, que não estamos conseguindo atingir", contou. Por isso, o Fluminense perdeu R$ 100 mil, mesma quantia que teria ganho na renda de cada uma das partidas da segunda fase.
Outro prejuízo computado pelo dirigente foi na campanha Sócio Torcedor. De acordo com Souza, 500 pessoas associavam-se ao clube quando o time estava jogando. "Esse número caiu pela metade", afirmou. Até agora, 11 mil pessoas estão cadastradas no projeto, mas apenas 2.300 têm pago o carnê.
O presidente do Americano-RJ, César Gama, é outro dirigente que está contabilizando os prejuízos do seu clube. Ele informou que o time de Campos já perdeu R$ 200 mil reais. "Além disso, alguns contratos de jogadores vão até novembro e não sabemos se poderemos renová-los ou não", argumentou. Gama explicou que a folha salarial do futebol do Americano é de R$ 75 mil. "Fica difícil pagar os atletas sem jogar."


