Fluminense já tem dois candidatos a presidente
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de agosto de 1998
Agência Estado 
Dois nomes estão sendo cogitados para se candidatar à presidência do Fluminense. São eles o do presidente da Vanguarda Tricolor, facção da torcida que conquistou poder dentro do clube, Marcos Furtado, e o do ex-presidente do tricolor, Francisco Horta.
O Fluminense desde terça-feira está sendo dirigido interinamente pelo presidente do Conselho Administrativo, José Pereira Antelo, que tem até 30 dias para convocar novas eleições. Segundo ele, a prioridade agora é resolver o mais rapidamente possível o problema financeiro do clube, mais especificamente do futebol, que deve a seus jogadores três meses de salários. Estou fazendo contatos para conseguir levantar fundos, e arcar com parte das nossas dívidas, revelou Antelo.
O presidente acredita que tenha condições de pagar aos jogadores antes da partida contra o Juventus, no domingo, na segunda rodada da Série B. Quanto às outras dívidas, Antelo diz que são perfeitamente possíveis de serem pagas, e que só não foram honradas antes, por falta de entrosamento entre a antiga presidência e a diretoria. Antelo disse lamentar ter que assumir a presidência interina pela segunda vez em menos de dois anos.
O antecessor de Álvaro Barcellos, Gil Carneiro de Mendonça também renunciou, e Antelo assumiu na época. Eu não sou um dirigente profissional; não queria assumir por causa das minhas atividades profissionais, disse, que tem um escritório de advocacia.
O Fluminense acumula dívidas com valores estimados de R$ 30 milhões, segundo Gilson Maurity, vice-presidente financeiro do clube. Não tenho como precisar o valor das dívidas, porque muitas delas estão sendo contestadas judicialmente, mas oscila entre 25 a 30 milhões, confessou. Para Maurity, a única maneira do clube sair da crise financeira que se encontra é que a próxima administração divida o clube em três centros de custos. A divisão seria feita entre o esporte amador, o profissional (futebol), e a parte social. Mais de 50% da dívida do clube está relacionada ao futebol. Segundo Maurity, o esporte amador tem um custo mensal de R$ 120 mil, e não arrecada nada. O futebol tem um custo de R$ 500 mil, e atualmente está com um faturamento menor, por causa da falta de patrocínio, vivendo exclusivamente das bilheterias e cotas de TV. E a parte social tem um superávit de R$ 100 mil.
Entre os jogadores, parece que um discurso foi decorado. Todos dizem que a crise política do clube não interfere dentro de campo. Eles têm certeza que tudo vai ser resolvido, e que vão dar a volta por cima. Nosso papel é não deixar que os problemas externos influenciem dentro do campo, disse o técnico Delei. O goleiro Ronaldo promete reagir. Agora é a hora de erguermos a cabeça e mostrarmos todo o nosso profissionalismo.


