Imagem ilustrativa da imagem Flecha que vai longe
| Foto: Saulo Ohara
"Tínhamos muitos alunos indisciplinados e com notas ruins. Houve uma melhora em vários aspectos após o início das aulas", comemora o diretor Edson de Souza


Oportunizar a prática de uma modalidade pouco difundida no Brasil e melhorar o desempenho escolar de adolescentes é o objetivo da Associação Londrinense de Tiro com Arco (Alta), com a realização do projeto Arco na Escola em dois colégios de Londrina.
Atualmente são mais de 50 alunos, de 11 a 15 anos, atendidos na Escola Estadual de Ensino Integral Tiradentes, na Vila Recreio, e no Colégio Benedita Rosa Rezende, na zona leste. O trabalho começou em 2015 e colhe os primeiros frutos. Alguns dos estudantes já integram a equipe de 46 atletas de competição da Alta. "Disciplina, vontade e muito treino são as chaves para alcançar excelência no tiro com arco. O fundamental na modalidade é manter em harmonia a postura física e psicológica", ensinou Fernando Tadeu Alexandre, presidente da Alta, que foi criada em 2014.
O projeto chamou tanta atenção dos alunos, que a modalidade se tornou disciplina este ano como aprofundamento esportivo na Escola Tiradentes, uma das duas únicas instituições estaduais com ensino integral em Londrina. As aulas são ministradas para quatro turmas pelo professor de educação física e diretor técnico da Alta, Fernando Fernandes.
Instrutor credenciado internacionalmente, Fernandes explicou que o tiro com arco é uma arte marcial, já que inicialmente foi criado para ser usado em guerras, e foi muito bem recebido pelos alunos. "A resposta tem sido ótima até porque a direção da escola abraçou a ideia. Porém, os alunos sabem que somos exigentes com notas e comportamentos. Apenas com boas notas é que eles vão se manter no projeto", ressaltou.
O diretor da escola Tiradentes, Edson de Souza, acredita que o interesse foi grande até pela visibilidade que a modalidade teve na Olimpíada do Rio de Janeiro. "Tínhamos muitos alunos indisciplinados e com notas ruins. Houve uma melhora em vários aspectos após o início das aulas. Além disso, são em oportunidades como essas que se descobrem futuros talentos", frisou.
E candidatos a campeões não faltam. "Meu sonho é disputar uma Olimpíada", apontou a estudante do 7º ano, Ana Rita de Cássia. "A minha irmã mais nova já disse que quando entrar aqui na escola quer treinar também. Até já comprou um arco de brinquedo". Aos 15 anos, David Sávio teve o primeiro contato com a modalidade justamente com o início do projeto e revelou a sua principal dificuldade. "Não é fácil acertar o centro do alvo. Mas, já melhorei desde o início dos treinos", revelou.
Já Leonardo Santos, do 9º ano, garantiu que trocou o futebol pelo tiro com arco e a adaptação foi a melhor possível. "Todas as minhas notas estão boa e já passei de ano. O mais difícil é manter a concentração para não errar o alvo", afirmou.
Apesar da estrutura não ser a ideal – há mais alunos que arcos, por exemplo -, a Alta projeta expansão do projeto agora para duas escolas municipais, com alunos a partir de seis anos. "Quanto mais cedo se começa, mais tempo tem para se desenvolver. Ainda temos apenas arcos escolas, que são artesanais. Alguns dos alunos já atingiram um nível que precisam de equipamentos mais profissionais. Estamos buscando parcerias para melhorar as condições", contou Fernando Tadeu.

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