Quando a gente está fora do País, o sentimento de patriotismo torna-se mais forte, quase incontrolável. No exterior, a gente tem vontade de vestir verde e amarelo ou sair agitando a Bandeira Nacional. Quando estamos em casa não fazemos isto. Por quê? As manifestações dos brasileiros residentes na Bolívia, nas horas que antecederam a estréia da Seleção na Copa América, ontem aqui em Santa Cruz de La Sierra, tinham a marca da paixão pura. Cada um fez o que pôde para mostrar que era brasileiro. Como o verde e amarelo também estão nas cores da bandeira boliviana, a gente da terra nem reclamou. Gostaria muito de um dia ver um Brasil x Bolívia jogando aqui em Santa Cruz. Mas em La Paz, onde este confronto pode acontecer durante esta Copa América, já não existem tantos brasileiros e o clima é outro.




Miséria
Tenho visto muitos índios pedindo esmola pelas ruas de Santa Cruz. Também pudera, a maioria da população é constituída por ameríndios. São pedintes completamente diferentes dos nossos. Parecem mais tímidos, menos atrevidos nos pedidos. Mas já estão aprendendo. Em muitas esquinas, a gente vê os mais velhos sentados num cantinho e a meninada tentando arrecadar um dinheirinho. Aqui, tem muita gente pedindo e, pelo que observei, pouca gente dando esmola. Dizem que Santa Cruz de La Sierra é a cidade que mais cresce no mundo atualmente. Mas a miséria salta aos olhos de quem chega.
Missa a toda hora
Ontem conheci a antiga e linda Catedral de Santa Cruz. Ampla e dotada de muitas imagens bonitas. Fiz os meus três pedidos. Afinal, aprendi quando criança, no Rio Grande que a gente tem direito a pedir três graças, quando entra pela primeira vez numa igreja. Certamente, serei atendido. Na entrada da Catedral, um quadro com os horários das missas. Como se rezam poucas missas no Brasil. Aos domingos, na Catedral de Santa Cruz de La Sierra, são rezadas seis missas, das sete da manhã até às oito horas da noite. Não há desculpa para alguém deixar de ir à missa.
Luta inglória
Chega aqui a notícia de que o Londrina quer a vaga do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Será que isso é mesmo? O Tubarão está ficando valente. Acho até que o Corinthians, envolvido no escândalo das arbitragens, merecia o mesmo destino do Atlético Paranaense. Mas o Londrina está entrando numa briga perdida. Até os bolivianos aqui de Santa Cruz sabem que a CBF jamais tiraria o Corinthians de um Campeonato para colocar o nosso Alviceleste. O Tubarão vai se queimar.
Parabéns
Lamento não estar em Londrina, neste sábado, para poder abraçar a colega e boa amiga Marta Regina Calixto, a nossa secretária, aí na Redação da Folha. Vai daqui aquela força para a Martinha. Gente boa está aí. Feliz aniversário.
Legião estrangeira
Das 12 seleções que disputam a Copa América, aqui na Bolívia, quatro têm treinadores estrangeiros. O brasileiro Paulo César Carpeggiani dirige o Paraguai; o sérvio Bora Milutinovic comanda o time mexicano, o argentino Horácio Cordeiro está na Costa Rica e o colombiano Francisco Maturana, técnico do Equador, tirou uma folga, mas mandou o compatriota Luis Suaréz em seu lugar. Fico imaginando a Seleção Brasileira sendo dirigida por um estrangeiro. Nunca daria certo.
Bronca à vista
Tem muita gente apostando que as primeiras broncas sérias contra as novas regras do futebol virão na segunda fase da Copa América, quando alguns jogos começarão a ser decididos nas cobranças de penalidades máximas. Os goleiros vão poder se mexer lateralmente, aumentando as chances de defesa. E quem perder pênalti vai reclamar. Podem esperar que a bronca é certa.
Vento gaúcho
Mesmo nesta época de inverno faz bastante calor em Santa Cruz de La Sierra. Mas faz também um vento pra gaúcho nenhum botar defeito. É o minuano deles. Não via tanto vento há muito tempo. Chega a incomodar, especialmente aquela sensação de areia nos olhos. A colônia gaúcha, que é muito grande por aqui, jura que o vento veio atrás da gauchada que deixou os Pampas sem licença.
Notícia ruim
Notícia ruim se espalha mesmo. Até os jornalistas do México sabem que o Atlético Paranaense ‘‘comprou o juiz para ganhar um jogo e que foi excluído do Campeonato Brasileiro. ‘‘Ontem, três deles queriam saber como é que tudo aconteceu. Eles rezam para a moda pegar, porque o futebol mexicano também tem os seus Ivens Mendes. O que falta é coragem para alguém investigar e descobrir tudo.
Zagalo penta
Frase de Zagalo ao final de uma tumultuada entrevista coletiva: ‘‘O Brasil será pentacampeão do mundo. E com Zagalo no comando técnico. Meus amigos, aqueles de sempre, vão ter que me aguentar. Sabe de uma coisa, eu acho que eles me dão sorte’’.


Cada vez maior

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