São Paulo - Nesta quarta-feira, quando entrarem no gramado do mítico Estádio Centenário de Montevidéu, PeÀarol e Santos farão mais do que disputar a primeira partida da final da Copa Libertadores da América, o que já não é pouca coisa. Os carboneros e os santistas vão reviver uma das finais mais marcantes da história do torneio, a de 1962, época em que os dois clubes estavam no topo do futebol mundial.
As duas primeiras edições da Libertadores, em 1960 e 1961, tornaram o time uruguaio uma potência temida em todos os cantos da América do Sul. O PeÀarol foi bicampeão (em 61, na final contra o Palmeiras, a volta olímpica foi dada justamente no palco da decisão deste ano, o Pacaembu) e virou a equipe a ser batida no continente. E na terceira edição do torneio o clube uruguaio encontrou na final o desafiante mais poderoso que poderia existir: o Santos de Pelé.
Em sua primeira participação na Libertadores, o Santos chegou à final deixando para trás Cerro PorteÀo, Deportivo Municipal (da Bolívia) e Universidad Católica. Na primeira partida decisiva contra o PeÀarol, em Montevidéu, os santistas mostraram sua força. Spencer abriu o placar, mas Coutinho marcou duas vezes e o Santos venceu por 2 a 1.
A segunda partida da decisão, na Vila Belmiro, foi uma das mais conturbadas da história da Libertadores - talvez da história do futebol. A torcida alvinegra lotou o acanhado estádio certa de que veria seu time ser campeão, já que um empate bastava ao Santos. Só que o PeÀarol não daria o título ao inimigo assim, de mão beijada. Duas vezes os santistas se viram atrás no placar e buscaram o empate, mas os uruguaios estavam em uma noite inspirada e fizeram 3 a 2.
Noite de terror
O clima na Vila era pesadíssimo. A torcida estava indócil e a partida teve várias interrupções, por variados motivos. Aos 90 minutos do segundo tempo (isso mesmo, 90 minutos do segundo tempo!), Pagão empatou o jogo e o Santos comemorou. Mas não por muito tempo. Dias depois, o Santos foi informado de que o árbitro chileno Carlos Robles considerou o jogo encerrado aos 51 minutos da segunda etapa, com o placar de 3 a 2 para o PeÀarol, e que os 39 minutos finais serviram apenas para que o juiz não fosse massacrado pela torcida.
Então o Santos se viu em uma situação bizarra: havia passado dias festejando o título para então descobrir que precisava jogar uma terceira partida. E não adiantou reclamar. Quase um mês depois do inacreditável segundo jogo, o time alvinegro teve de ir a Buenos Aires para disputar a ''negra'', como eram chamadas naquela época as partidas de desempate.
O estádio do River Plate foi o palco do tira-teima entre Santos e PeÀarol. Em um território neutro, sem pressão de torcida, o time alvinegro mostrou que era chegada a hora de a taça mudar de mãos. Mesmo diante de um adversário tão poderoso, o Santos fez uma exibição primorosa, sem dar a menor chance ao PeÀarol. Com um gol contra de Caetano e dois de Pelé, se tornou o primeiro time brasileiro a conquistar a Libertadores.
Agora, 49 anos depois, os dois gigantes vão se encontrar novamente. É verdade que não há mais Pelé, nem Pedro Rocha, mas a magia das duas camisas estará lá, com certeza.

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