Rio - Numa final dramática, polêmica e cheia de emoção, o Flamengo conquistou a 18.Taça Guanabara (primeiro turno do Campeonato Carioca) de sua história. Com um belo gol do atacante Diego Tardelli, aos 46 minutos da etapa final, a equipe superou o Botafogo, por 2 a 1, na tarde de ontem, no Maracanã, e ergueu o troféu. ''Eu tenho estrela para decidir'', disse o ex-atacante do São Paulo, que finalizou com precisão um contra-ataque rápido do Flamengo e encobriu o goleiro Castillo.
O time da Gávea já carimbou seu passaporte para a decisão do Estadual do Rio, e deve abrir mão de disputar com os titulares a Taça Rio, segundo turno da competição. No final do jogo, o presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, revoltado com a arbitragem, renunciou ao cargo.
Flamengo e Botafogo já haviam decidido duas vezes a Taça Guanabara, criada em 1965, e cada time ficou com um título. No tira-teima, deu a equipe flamenguista.
Nada melhor do que uma decisão para fabricar heróis. Vindo do São Paulo, Diego Tardelli viveu isso ontem. Entrou no segundo tempo no lugar de Toró e fez história: marcou o gol do título, chutando a bola com categoria de fora da área. ''Pensei que fosse para fora, mas a bola fez uma curva e entrou'', explicou o herói do título do Flamengo.
Contratado este ano ao futebol espanhol, o atacante Wellington Paulista chegou ao Botafogo sem nenhum alarde. Era visto como uma contratação de risco. Mudou essa definição rapidamente e, neste domingo, comprovou sua qualidade.
Num clássico movimentado, equilibrado e tenso, Wellington Paulista fez a diferença na etapa inicial. Num lance isolado, driblou dois defensores e chutou cruzado para fazer 1 a 0, aos 27 minutos.
Ao Flamengo, faltou força ofensiva nos 45 minutos iniciais. Marcinho não fez rigorosamente nada de útil. Acabou sendo substituído no intervalo por Obina, xodó da torcida.
O segundo tempo foi marcado por lances polêmicos, briga em campo e muita emoção. Se o Botafogo poderia ter ampliado o placar, o Flamengo forçou o ritmo em busca do empate. O clássico pegou fogo mesmo debaixo de forte chuva. O clima esquentou de vez quando o árbitro Marcelo de Lima Henrique assinalou pênalti para a equipe do Flamengo.
O árbitro viu o zagueiro Fábio Luciano ser puxado pelo defensor Ferrero na área do Botafogo, mas ignorou outros agarrões no mesmo lance entre atletas dos dois times. Foi um empurra-empurra tremendo. O volante Íbson, então, empatou a partida: 1 a 1, aos 17 minutos.
Na comemoração do gol, o atacante Souza se envolveu em confusão: brigou com o meia Zé Carlos. Ambos foram expulsos.
Para complicar a vida do Botafogo, o meia Lúcio Flávio parou contra-ataque do Flamengo com falta e recebeu cartão vermelho. Com garra, o Flamengo virou o placar com Tardelli e ainda contou com a sorte para levantar a taça no final do jogo.
No último lance do clássico, o atacante Fábio, do Botafogo, cabeceou a bola na trave. O grito de ''ufa'' se transformou no de ''é campeão'' em segundos.


NO RIO DE JANEIRO

Flamengo 2

Bruno; Leonardo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim e Juan; Jailton (Kleberson), Cristian, Ibson e Toró (Diego Tardelli); Marcinho (Obina) e Souza. Técnico: Joel Santana

Botafogo 1

Castillo; Alessandro (Fábio), Ferrero, Renato Silva e Eduardo (Édson); Diguinho, Túlio, Lúcio Flávio e Zé Carlos; Wellington Paulista e Adriano Felício (Jorge Henrique). Técnico: Cuca

Árbitro: Marcelo de Lima Henrique
Estádio: Maracanã
Expulsões: Souza, Lúcio Flávio e Zé Carlos
Gols: Wellington Paulista, aos 27 minutos do 1º tempo; Ibson, aos 17, e Diego Tardelli, aos 46 minutos do 2º tempo
Renda: R$ 1.684.000,00
Público: 78.830 pagantes

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