Flamengo e Vasco empataram em 1 a 1 no clássico de ontem no Maracanã e na liderança do grupo A do Campeonato Brasileiro, com quatro pontos. O jogo teve o recorde de renda e público na competição: 89.623 pessoas pagaram ingresso e o público total que passou pelas roletas foi de 98.251.
O Flamengo dominou o jogo e só não saiu com a vitória pela falta de pontaria de jogadores como Lúcio e Lê. Mesmo desfalcado das duas maiores estrelas, Sávio e Renato - que teve uma crise renal na concentração horas antes do jogo - o time tomou a iniciativa de atacar e surpreendeu o adversário. Parecia que o Flamengo era o time de melhor campanha no campeonato, e não o Vasco, que tinha em Edmundo o retrato de sua apatia.
O craque do campeonato desta vez pegou pouco na bola. Sua primeira jogada na área só aconteceu aos 38 minutos, quando driblou Luís Alberto e chutou em cima da zaga.
Mas o jovem zagueiro do Flamengo anulou-o na maior parte do tempo. Luís Alberto marcou Edmundo tão bem que o atacante, irritado no final do jogo, recusou-se a trocar a camisa com ele. ‘‘Fiquei com a camisa do Evair’’, contou o jogador rubro-negro. ‘‘Mas os dois não fizeram nada contra a nossa defesa’’.
O técnico Paulo Autuori ganhou com sobras o duelo com Antônio Lopes. Armou o time para marcar o adversário sob pressão. Surpreendido, o Vasco não conseguia sair da sua defesa. Restou a Lopes queixar-se dos seus jogadores de meio-de-campo. ‘‘Tem gente se escondendo, não se apresentando para jogar’’, reclamou, ainda no intervalo. A julgar pela substituição que fez no segundo tempo, referia-se a Ramon, trocado por Pedrinho.
O Flamengo abriu o marcador logo no primeiro ataque, aos quatro minutos, em cruzamento de Leandro que Iranildo escorou. O Vasco respondeu um minuto depois. Ramon cobrou falta, Mauro Galvão tentou cabecear e enganou Clemer.
O zagueiro não tocou na bola, mas o juiz Sidrack Marinho deu o gol a ele. A partir daí, só deu Flamengo. Na melhor jogada, Lúcio passou para Bruno Quadros que, de fora da área, chutou na trave.
No segundo tempo, sem o polonês Pierkarski, cansado pelo calor, o Flamengo caiu um pouco de produção e chegou a dar campo ao Vasco. Mas bastou Autuori colocar Gilberto no lugar de Athirson e o time retomar o domínio.
Nas duas primeiras jogadas, Gilberto deixou Lúcio e Lê em condições de marcar, mas os dois chutaram fora. A maior chance, porém, foi aos 28. Lê recebeu livre de Iranildo, mas se atrapalhou e chutou o chão.
O Vasco ainda ameaçou num cruzamento de Juninho para Pedrinho e num chute de Felipe, mas, àquela altura, a vitória seria uma injustiça. A própria torcida vascaína pedia raça ao time, enquanto a rubro-negro se divertia, aos gritos: ‘‘Timinho, timinho.’
No fim, Evair reconheceu a superioridade adversária: ‘‘Erramos muito passes e, desse jeito, não dá para ganhar.’ Os flamenguistas comemoravam o empate como uma vitória. ‘‘Muita gente nos criticou, mas a verdade é que enfrentamos o time sensação do campeonato e jogamos muito melhor’’, resumiu Bruno Quadros.
Confrontos Pelos menos 150 pessoas foram feridas, uma delas baleada, em confrontos entre torcedores do Flamengo e do Vasco, ontem, no Rio. O departamento médico do estádio do Maracanã atendeu mais de 130 pessoas, uma com traumatismo craniano, encaminhada para o hospital Souza Aguiar.
Cerca de 150 policiais militares foram chamados para reforçar o policiamento do Maracanã, que antes do jogo estava sendo feito por 350 homens. Entre os feridos, mais de 20 casos aconteceram antes do jogo.FICHA TÉCNICA

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