Flamengo é eleito o melhor de todos os tempos
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domingo, 14 de dezembro de 2008
Agência Estado 
São Paulo - Conquistar um lugar na galeria de campeões e na história do futebol brasileiro é tarefa para poucos, missão das mais difíceis. Mas, deixar saudades é algo ainda mais complicado. A história das Copas do Mundo mostra bem isso. Grandes times que não foram campeões deixaram mais recordações do que equipes que conquistaram títulos, casos típicos do Brasil de 1982, a Holanda de 74 e a Hungria de 54. O time derrotado de 82, por exemplo, é muito mais lembrado pelo brasileiro do que o campeão do mundo de 94.
Na história do Campeonato Brasileiro, iniciada em 1971, o fato se repete. Alguns grandes times deixaram saudades sem títulos, como o Atlético Mineiro de Reinaldo e Cerezo, o Cruzeiro de Nelinho e Dirceu Lopes, o Corinthians da Democracia, o Fluminense de Rivelino, entre outros. Ou então, outros ainda mais sensacionais que brilharam antes do surgimento da competição nacional nos moldes atuais, como o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha.
Mas, alguns campeões também são inesquecíveis, times que jamais sairão da memória. Na última semana, a Agência Estado ouviu vários personagens que participaram da história do Campeonato Brasileiro nos últimos 37 anos, entre técnicos, jogadores e jornalistas esportivos.
O Flamengo de Zico, campeão em 1980, 82 e 83, foi unanimidade, lembrado por todos os entrevistados. O Internacional de Falcão também mereceu destaque, comentado por quase todos, bem como o Palmeiras, da Academia de 1972 e 73, e ainda o São Paulo de Telê Santana, em 91. Outros receberam menos menções, mas também foram muito lembrados, como o Palmeiras de 93 e 94, tempos áureos em que a multinacional Parmalat gerenciava o futebol e o técnico Vanderlei Luxemburgo colecionava títulos. Ou ainda o Corinthians de 98 e 99, tempos de Ricardinho, Marcelinho e companhia.
Legislando em causa própria, mas fazendo uma ótima lembrança, o meia Zenon fez questão de destacar o Guarani de 78, campeão brasileiro com um time também inesquecível: Neneca; Mauro, Edson, Gomes e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó. O técnico era Carlos Alberto Silva.
''Tivemos de enfrentar grandes times em uma época áurea do futebol brasileiro, e ainda superar a nossa pouca estrutura porque, até então, o Guarani era um time pequeno do interior, uma autêntica zebra'', recordou-se Zenon, que, mais tarde, brilharia no Corinthians da Democracia, em 82.
Nenhum time, porém, foi mais reverenciado pelos entrevistados que o incrível Flamengo de Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. O técnico que deu origem a tudo foi Cláudio Coutinho, em 1980, embora a consagração maior tenha vindo depois, sob o comando de Paulo César Carpegiani, que, de jogador campeão em 80, transformou-se no técnico campeão mundial de clubes em 81 e brasileiro em 82. No ano seguinte, em 83, seria a vez de Carlos Alberto Torres. ''Era um time muito talentoso'', admitiu o ex-lateral Júnior, hoje comentarista da SporTV. ''Nós tínhamos prazer de jogar nesta equipe''.
Também foi muito lembrado o Internacional de 75 e 76, comandado por Rubens Minelli, com: Manga; Cláudio, Figueroa, Hermínio (Marinho Peres em 76) e Chico Fraga (Vacaria em 76); Caçapava, Falcão (Jair) e Carpegiani (Batista em 76); Valdomiro, Flávio (Escurinho) (Dario em 76) e Lula. Um pouco mais remodelado, o time voltaria ao título em 79, com Benitez; João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão e Jair; Valdomiro (Chico Spina), Bira e Mário Sérgio. O comando era de Ênio Andrade. ''Em 79, era um grupo que manteve a base de 75 e 76, rejuvenescido com a entrada de alguns garotos'', enalteceu Mauro Galvão.
Fechando o grupo dos mais lembrados, vem também o Palmeiras da Academia de Futebol, bicampeão brasileiro de 72 e 73, de Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César Maluco e Nei. ''Era um time de muita qualidade e muito equilibrado em campo'', empolgou-se o volante Dudu.
Neste período de decisão no futebol brasileiro, em que mais um campeão está escrevendo seu nome na história, fica a certeza de que as melhores recordações ainda ficam para as décadas de 70 e 80, quando o futebol brasileiro conseguia segurar seus craques e os times eram verdadeiras máquinas de jogar futebol, repetindo por anos a mesma formação.
''Hoje, o futebol é mercado. Se você pegar o time que começa um campeonato num clube e o que termina, corre o risco de não encontrar mais ninguém'', protestou o experiente técnico Evaristo de Macedo. ''Hoje temos campeonatos apenas razoáveis, porque os maiores valores individuais estão no exterior'', lamentou Mário Jorge Lobo Zagallo, técnico que fez história na seleção. ''Atualmente, os craques são os técnicos'', ironizou o cerebral Gerson.
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