Rio, 24 (AE) - A decretação de falência do Racing Club da Argentina, em março, por acumular uma dívida de US$ 40 milhões não assustou o presidente do Flamengo, Edmundo dos Santos Silva, que administra uma dívida de US$ 47 milhões, acumulada ao longo dos 103 anos de existência do clube de maior torcida do Brasil. A comparação entre os dois clubes, tradicionais em seus países, é inevitável. Ao invés de buscar semelhanças entre os dois clubes, Silva prefere ressaltar as diferenças e, deste modo, sustentar a tese de que o Flamengo não corre o menor risco de ter a falência pedida, como aconteceu com o clube argentino.
O Racing teve sua falência decretada pela Justiça, entre outras coisas, depois de uma ação impetrada pelo advogado Francisco Pérez Díaz - que trabalhou no clube em 97 e que reclamava o pagamento de US$ 250 mil. O Flamengo também tem diversas dívidas trabalhistas com ex-funcionários e ex-atletas que deixaram de receber seus salários. "Acontece que nós, ao assumirmos, tomamos o controle de todos esses casos e estamos procurando negociar um a um", disse Silva. "Nossas dívidas, em sua maioria, são com os poderes públicos e estas são negociáveis", explicou.
Segundo Silva, o principal diferença entre os dois clubes é que o Racing não é tão popular quanto o Flamengo. "Nós temos cerca de 15 milhões de torcedores, só no Brasil", argumentou. Para o dirigente, esse fator demonstra o potencial a ser explorado comercialmente pela marca Flamengo. O clube carioca tem em sua sede um estudo feito por uma consultoria estrangeira que avaliou a marca Flamengo em US$ 300 milhões.
Para o presidente rubro-negro, o clube precisa hoje fechar parcerias com outras empresas para profissionalizar o seu futebol e crescer mais. "Nossos futuros parceiros nos ajudarão não para amortizarmos a dívida, mas para fazer com que o clube cresça", declarou.
Silva anunciou que no próximo dia 8 receberá representantes de uma empresa do exterior, provavelmente européia, para negociar uma futura parceria e a criação da FlaPar, holding que controlará toda a parte financeira do clube, sem ingerência nos destinos do futebol rubro-negro. "O Conselho Deliberativo do clube, que é quem decide tudo, jamais abriria mão disso", disse.

mockup