Flamengo admite recorrer a FHC para ajudar Aurélio Miguel
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Rodrigo Mattos 
Rio, 30 (AE) - O Flamengo admite recorrer até ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para permitir que o judoca Aurélio Miguel tenha direito de disputar uma nova seletiva para o Mundial de Birmighan, na Inglaterra. Essa possibilidade foi levantada hoje pelo vice-presidente de Esporte Amador do clube, Fernando Simah. O presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Joaquim Mamede Júnior, disse que vai tomar uma decisão sobre o assunto na quarta-feira. "Mas há 99,9 % de chances de não haver modificação no que foi definido", afirmou.
Depois de sofrer uma contusão no cotovelo esquerdo, nas eliminatórias da seletiva, sábado, Miguel pediu um adiamento da final, contra o judoca Marcelo Figueiredo, marcada para domingo. "Outro atleta, o Flávio Canto, machucou-se e teve esse direito", disse o judoca. Para Miguel, o regulamento da competição indica que o judoca teria direito ao adiamento por 30 dias, mas Mamede Júnior rebateu a informação.
Alegou que houve modificação no regulamento e isso foi informado aos atletas.
Caso a CBJ não mude a sua decisão em dois dias, Simah explicou que, além de apelar para as autoridades, o clube vai entrar com uma ação na Justiça Comum para garantir os direitos de Miguel. "O nosso departamento jurídico está tratando do assunto e vai dar todo o apoio ao atleta", garantiu.
Além do problema da seletiva, Simah quer uma definição a respeito da transferência de Miguel para o Flamengo, que ainda não foi oficialmente concretizada. Isso porque Mamede Júnior exige o pagamento de uma taxa de transferência de US$ 50 mil. "O que é um completo absurdo, assim, é impossível investir em judô", revoltou-se Simah.
Os confrontos entre Miguel e a família Mamede, primeiro com Joaquim Mamede e, agora, com o seu filho, Joaquim Mamede Júnior, vêm de longa data. O judoca deixou de disputar a Olimpíada de Los Angeles, em 1984, por causa de um desentendimento com o pai. Após esse primeiro episódio, seguiram-se vários outros que chegaram a cessar em 92, quando houve um acordo entre as partes.
Miguel garantiu que essa paz foi parcial, pois os dirigentes nunca deixaram de prejudicá-lo. "Jogo xadrez com o Mamede (pai) há muito tempo e sou melhor que ele", declarou. "Se não fosse por causa dele, talvez eu tivesse batido o recorde de medalhas de um brasileiro em Olimpíadas." Mamede Júnior negou qualquer inimizade sua ou de seu pai com o judoca.


