Flamenfo enviará contra-proposta à ISL
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terça-feira, 17 de agosto de 1999
Por Silvio Barsetti 
Rio, 18 (AE) O Flamengo envia esta semana para a Europa o texto final da proposta de parceria com a empresa suíça de marketing esportivo ISL, contendo alterações no documento original, aprovado com ressalvas por conselheiros do clube em 26 de julho. As mudanças serão submetidas a uma análise da empresa e o acordo poderá ser protelado se houver algum impasse. A princípio, os dirigentes do Flamengo mantêm-se otimistas quanto à aceitação da contra-proposta. O acordo deverá render ao clube US$ 80 milhões por 15 anos.
Durante três semanas, uma comissão especial criada pelo presidente do Flamengo, Edmundo dos Santos Silva, estudou e reformulou os pontos polêmicos da proposta da ISL. Um deles dizia respeito à construção de um estádio para o clube. A ISL comprometia-se a pagar uma multa no valor de US$ 5 milhões se não conseguisse concluir a obra. A partir de agora, consta da nova redação do documento, traduzido para o inglês, a obrigação de a ISL entregar um novo estádio ao Flamengo seria erguido provavelmente na zona oeste do Rio ou na Baixada Fluminense num prazo de até quatro anos. "Não deve haver nenhum problema"
observou Silva.
Havia também uma cláusula na qual a ISL poderia renovar automaticamente a parceria de 15 anos por mais um período idêntico ao fim do contrato. Mas esse item também foi alterado. A renovação só será possível se a parceria resultar num lucro líquido de no mínimo 10% sobre o faturamento bruto do clube ao longo do contrato. "Passa a ser importante definir a forma de cálculo desse lucro", disse o ex-presidente do Flamengo, Márcio Braga, integrante da comissão, que se reunirá amanhã à noite para finalizar os trabalhos.
Além disso, à continuidade da parceria, em sua segunda etapa, estipularia-se nova cota de divisão dos rendimentos nos primeiros 15 anos, ISL e Flamengo vão ter direito, cada um, a 50% dos lucros. A partir de então, a ISL doaria 1% ao Flamengo a cada 12 meses, até que chegassem à seguinte distribuição: 65% para o clube e 35% para a empresa de marketing. Nos últimos dias
a questão que mais importunou os conselheiros do Flamengo se referia a uma taxa de administração de 10% que seria cobrada pela ISL sobre a receita do clube.
Essa medida poderia trazer prejuízos para o Flamengo. Se o clube, por exemplo, faturasse US$ 50 milhões e gastasse a mesma quantia, ainda assim a ISL teria direito a US$ 5 milhões. Esses 10% sobre a receita indicavam, inclusive, que a ISL poderia adquirir vantagens sobre contratos já existentes e que não foram negociados pela empresa. Para os dirigentes do Flamengo, a taxa deve ser mantida, mas apenas sobre o valor agregado a partir do contrato.
"Isso não vai incidir nos bens, nos imóveis, nas contribuições dos associados; em tudo o que o Flamengo já tem", explicou Braga. O porcentual também não recai sobre a venda de jogadores. A diretoria do clube contratou uma empresa de consultoria, a Sirostky, para fazer uma reavaliação da marca Flamengo, que, em 1997, estava estimada em US$ 265 milhões.


