Fla se nega a devolver dinheiro e causa tumulto
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terça-feira, 15 de setembro de 1998
Agência Folha 
A recusa do Flamengo em devolver o dinheiro de centenas de ingressos provocou confusão e reclamações de torcedores ontem no estádio do Maracanã, desde que quatro bilheterias foram abertas, às 10h10, com dez minutos de atraso. Os bilheteiros do clube diziam que os ingressos eram falsos, porque os cartões magnéticos não traziam a impressão de um carimbo com tinta azul na íntegra, indicando a data da partida entre Flamengo e Lusa. De acordo com os torcedores, a tinta sai em contato com os dedos e qualquer líquido, o que foi confirmado pela reportagem.
Para alguns, os bilheteiros passavam álcool nos cartões, tirando a tinta. Às 16h45 - primeiro e único balanço, até as 19h - , uma funcionária da tesouraria do Flamengo disse que já havia sido devolvido o dinheiro de 8.000 ingressos. O número foi uma surpresa para o clube. Na véspera, o vice-presidente Michel Assef dissera esperar poucas devoluções, porque, para muitos torcedores, a passagem de transporte para ir ao Maracanã seria mais cara do que o valor do bilhete do jogo.
O Flamengo vendeu ingressos em vários pontos da região metropolitana do Rio, mas só devolveu o dinheiro no Maracanã. Contando a barca que atravessa a baía de Guanabara e o ônibus do centro do Rio até o estádio, um torcedor de Niterói gasta R$ 3,10. O ingresso de arquibancada em promoção custou R$ 3. O de cadeira comum, R$ 2. Mesmo perdendo dinheiro eu viria, só para a diretoria do Flamengo tomar vergonha na cara, disse o desempregado Leandro Souza. Morador da favela Nova Brasília, ele gastou R$ 1,30 para ir e voltar do Maracanã, de ônibus.
O soldado do Exército Sidney Teixeira dos Santos levou sete ingressos de arquibancada, incluindo os de amigos, mas só recebeu o valor de três. Um bilheteiro disse que uma máquina chegaria para checar a autenticidade dos ingressos, mas ela não chegou.
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