Fittipaldi evita críticas a Gil
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de abril de 1997
Agência Estado 
Christian Fittipaldi evitou fazer críticas ao compatriota Gil de Ferran pela batida. Não quero discutir de quem foi a culpa, porque foi um acidente tão feio que estou feliz de não ter tido consequências bem piores, afirmou. Mas eu já estava fazendo a tomada da curva e foi a roda dianteira dele que bateu na minha traseira.
Christian e Gil se conhecem desde criança. Correram juntos no kart, fizeram pegas na adolescência em Alphaville (Barueri/SP) e têm um bom relacionamento fora da pista. Na quinta-feira, saíram para jantar e passaram horas na mesa de restaurante lembrando histórias do kart - inclusive muitas batidas.
Entre uma largada e outra do GP da Austrália, Gil ficou desnorteado. Sentado num canto da mureta dos boxes, cabeça baixa, procurou recuperar a concentração para voltar à pista no carro reserva. Ao falar do acidente, porém, foi frio. Eu estava tentando passá-lo e já tinha duas rodas do lado do carro dele, mas acho que ele não me viu, porque continuou virando o volante na minha direção. Gil disse que chegou a bater com as rodas do lado esquerdo no muro. Não tinha mais lugar para onde ir, contou. Se eu levantasse o pé, seria pior, porque ele decolaria na minha roda. Gil tinha o pneu dianteiro direito na frente do traseiro esquerdo de Christian e ele funcionaria como alavanca caso o piloto da Walker freasse.
Michael Andretti, companheiro de Christian, que vinha logo atrás no acidente, endossou a versão de Gil. Acredito que Christian não o tenha visto, afirmou. Mas não quero fazer comentários: foi um acidente de corrida, como o que eu e Al Unser Jr. tivemos em Elkhart Lake, há dois anos. Naquele GP, Michael não viu a aproximação de Unser, fechou-o e ambos bateram na reta.
Andretti, assim como Carl Haas, patrão de Christian, tentaram se esquecer do acidente para se manter concentrados na relargada. A perna dele dói, mas não sei qual é a gravidade, foi o único comentário que os dois fizeram antes do reinício da prova. Ao entrar no carro reserva, Gil também admitiu não ter pensado mais no acidente. Tentei lidar com meus problemas na hora, como o freio que estava falhando. Assim funciona o mundo das corridas. O show tem sempre de continuar.
Ao fim da prova, Andretti afirmou que Haas deve buscar um substituto para Christian nas próximas provas. Perguntado se poderia ser seu pai, Mario, disse. Eu adoraria, mas acho muito difícil. O italiano Teo Fabi, desempregado, e o holandês Arie Luyendyke, na liga paralela IRL, foram nomes cogitados.


