Fittipaldi defende chance a novos talentos
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de setembro de 2012
Rafael Souza<BR>Enviado a São Paulo 
São Paulo - 10 de setembro de 1972. A data é emblemática para o automobilismo brasileiro. Na Itália, a bordo de sua Lotus, Emerson Fittipaldi faturava o primeiro título mundial de um piloto brasileiro na Fórmula 1. Era sua terceira temporada na categoria e o brasileiro deixou para trás ninguém menos que Jackie Stewart, sagrando-se campeão com 16 pontos de diferença para a lenda inglesa.
"Foi um dia inesquecível. Se passam 40 anos, mas a paixão e o amor por corridas continuam iguais", celebrou o grande campeão durante a realização das "Seis Horas de São Paulo", ontem, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Era o início de uma era gloriosa do automobilismo nacional, que durou até 1994, ano da morte de Ayrton Senna, e trouxe ainda mais sete títulos mundiais para o Brasil com o próprio Emerson, campeão novamente em 1974, Nelson Piquet e Senna. De lá para cá, Rubens Barrichello e Felipe Massa foram os que mais de destacaram, conquistaram dois vices, mas diferente dos campeões nunca tiveram uma regularidade que os fizessem entrar para o seleto grupo de ídolos do automobilismo nacional.
E a curto prazo, a situação não é muito animadora. Não há um jovem piloto brasileiro que possa ser apontado como uma grande promessa para a Fórmula 1. E também não é de hoje que se sabe que há um problema de formação de novos talentos. "O automobilismo de base tem um custo muito elevado. É preciso diminuir este custo para dar mais chance aos jovens pilotos. Muita gente diz que o Brasil não tem talentos, mas tem sim. É preciso descobri-los, mas para isso é preciso dar chance deles se desenvolverem", argumenta.
Emerson também não acredita que o povo brasileiro tenha perdido o interesse pelo automobilismo. "Falta sim um brasileiro ganhando provas nas grandes categorias, mas o brasileiro sempre foi apaixonado por automobilismo e continua sendo", observou o ex-piloto.
Sempre visionário, ele tenta dar a sua contribuição para então não deixar morrer a paixão do brasileiro pelos grandes eventos automobilísticos trazendo ao país a única etapa Sul-Americana do World Endurance Championship (WEC), as "Seis Horas de São Paulo", e que tem como atrações os mesmos carros usados na lendária "24 Horas de Le Mans".
"É um evento que é sucesso por onde passa e tenho certeza que no Brasil não será diferente. Tenho certeza que o público brasileiro vai gostar, tem muita coisa bacana", aposta. "É mais uma grande categoria que com certeza vai abrir as portas para os brasileiros, como foi com o di Grassi. Até eu sinto saudades de dar umas voltinhas", brincou.
Emerson já tem contrato com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), organizadora do WEC, para realizá-lo no Brasil até 2016.
O jornalista viajou a convite da Audi Sport.


