Professor da Unicamp colaborou para a conquista do bronze pela equipe brasileira
Professor da Unicamp colaborou para a conquista do bronze pela equipe brasileira | Foto: Arquivo Pessoal



O esporte paralímpico brasileiro tem um toque pé-vermelho. O coordenador do Lafea (Laboratório de Avaliação Física em Exercício e Esporte Adaptados) da faculdade de educação física da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), José Irineu Gorla, foi fisiologista da seleção brasileira de futebol de sete paralímpico durante a Paralimpíada do Rio-2016 e participa do ciclo para Tóquio-2020 em outras duas modalidades. Ele esteve em Londrina recentemente, para visitar o fisiologista do LEC, Belmar Ramos Junior.

Gorla possui graduação em educação física pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), especialização em avaliação da performance motora pela universidade londrinense, mestrado e doutorado em educação física na área de atividade física, adaptação e saúde pela Unicamp, pós-doutorado na faculdade de medicina da Unicamp e atualmente é professor livre docente do Departamento de Estudos da Atividade Física Adaptada.

"Eu trabalho com essa parte de fisiologia do esporte paralímpico. Nós tivemos a oportunidade de, no ciclo paralímpico de 2012 a 2016, acompanhar a seleção brasileira de futebol de sete paralímpico, que é praticado por paralisados cerebrais", descreveu o fisiologista. Nesse período, ele acompanhou e monitorou o controle da carga de treino dos atletas. "Esse trabalho coadunou com o terceiro lugar na Paralimpíada do Rio-2016 e a conquista da medalha de bronze", relatou.

Infelizmente, a seleção brasileira de futebol de sete não terá a oportunidade de tentar outra medalha em Tóquio-2020, porque a modalidade é uma das duas que deixaram o programa paralímpico para a próxima edição dos Jogos. "O futebol de sete não vai para o Japão, mas pode voltar no próximo ciclo. Continuamos preparando a seleção brasileira para a participação no Mundial e em campeonatos na América", explicou Gorla, que descreveu a experiência que viveu no Rio-2016 como "única".

"Foi muito importante, porque, além de trabalhar com pessoas com deficiência, há algumas modificações de adaptações nos treinos. Por exemplo, você tem um hemiplégico (pessoa com paralisia cerebral que afeta um lado completo do corpo), em que um lado é comprometido, e num determinado momento do jogo ele precisa marcar do outro lado. Aí, você treina só o lado que não está comprometido para poder fazer essa marcação. Essas experiências foram desenvolvidas ao longo dos treinamentos", apontou o fisiologista.

"É sensacional poder participar de um momento histórico para o Brasil e ao mesmo tempo com pessoas que têm essas limitações, essas deficiências, e que tiveram essas histórias de superação de coisas do dia a dia delas", afirmou. "A organização em si da Paralimpíada pelo Brasil e a colocação em que o País ficou mostraram o que representamos dentro do mundo da Paralimpíada. Hoje, o Brasil é a oitava força no mundo", ressaltou Gorla, que utiliza a experiência que viveu com esses atletas nas aulas de graduação que ministra na Unicamp: "A gente forma essas pessoas que trabalham com os indivíduos que têm deficiência."

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