Uma comissão do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro) foi impedida ontem de entrar em São Januário para verificar as condições do estádio. O presidente da entidade, José Chacon, após acionar a polícia, acabou recebido pelo vice-presidente jurídico do Vasco, Paulo Reis. Eles combinaram que a inspeção será na terça-feira.
‘‘Estamos mobilizando a força policial. Se ela não resolver, apelaremos ao Judiciário. Nunca fomos impedido de entrar num local para cumprimento da nossa função. É a primeira vez. Nunca vi isso.’’ Depois de aguardar uma hora e meia, graças à intervenção do delegado da 17ª DP (Delegacia Policial), José Renato Torres do Nascimento, Chacon falou com Reis por 20 minutos.
Ao sair, Chacon anunciou o adiamento da inspeção. ‘‘O Vasco solicitou que voltássemos na semana que vem porque, segundo alegaram, não há direção presente. Não vejo problema em dar mais um dia e meio útil.’’ A comissão do Crea chegou a encontrar engenheiros contratados pelo Vasco, que deixavam o estádio. Um deles, Bruno Contarini (autor do laudo do Maracanã em 1992, quando parte da grade da arquibancada caiu em jogo entre Flamengo e Botafogo), disse que foi chamado pela direção do clube.
‘‘Para a diretoria só interessa a verdade técnica. Por isso estamos aqui. Não vou comprometer os meus 43 anos de profissão’’, afirmou.
Alexandre Duarte, ex-presidente do Crea-RJ, também contratado pelo Vasco, previu concordância entre os os laudos (o deles, o do Crea e o do Instituto de Criminalística Carlos Éboli). ‘‘Em engenharia, as coisas são muito claras. Não tenho dúvida de que os pareceres serão iguais.’’
Duarte negou que as grades apresentassem sinais significativos de corrosão e disse que o estado geral da estrutura é novo. ‘‘Apesar de uma parte ter sido construída em 1927, poucos estádios estão em condições tão boas como São Januário.’’
Chacon afirmou que o Crea tem independência na elaboração de seu parecer. ‘‘É uma relação diferenciada. Eles estiveram aqui contratados pelo Vasco, nós representamos uma autarquia diferenciada pública.’’
ACM quer prisão – O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que o governador do Rio, Anthony Garotinho (sem partido), teria ‘‘feito muito bem’’ se tivesse mandado prender o deputado federal Eurico Miranda (PPB-RJ), presidente eleito do Vasco.
Na final da Copa JH, no último sábado, quando ocorreu um incidente no qual 120 pessoas ficaram feridas em São Januário, Eurico criticou a decisão de Garotinho determinando o final do jogo e o chamou de ‘‘frouxo’’.
‘‘Ele (Eurico Miranda) já está questionado. Sua atitude no jogo do Vasco contra o São Caetano o colocou em uma situação muito difícil. Se fosse algo normal, ele próprio já teria se afastado, porque tem se mostrado nocivo ao futebol brasileiro. Agora, as coisas transbordaram. Imunidade parlamentar não é para o deputado usar no campo de futebol, vendo cenas até de falta de humanidade’’, disse em entrevista para a rádio Bandeirantes de Porto Alegre.
‘‘O governador, se o prendesse, faria muito bem. As coisas pioraram para o Eurico Miranda, e acho difícil ele tornar a fazer o que tem feito’’, afirmou ACM.
Taça aparece – A taça da Copa João Havelange apareceu. Como já se imaginava, ela está na sala de troféus do Vasco. A informação foi confirmada ontem pelo assessor de Imprensa do clube, Roberto Garófalo (desmentindo declarações anteriores de Eurico Miranda). Segundo ele, o troféu só não foi devolvido até agora porque ninguém da Sport Promotion (organizadora do campeonato) ligou para solicitá-lo.
‘‘Não iríamos falar com a imprensa. Mas como a Sport Promotion declarou que a taça havia sumido, resolvemos esclarecer que está aqui’’, disse. Já o Clube dos 13, por meio de sua assessoria, afirmou que se o troféu está com um de seus filiados, tudo bem.

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