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Foi o tempo em que o futebol era o ''esporte das multidões''. O assalariado ia aos estádios, vibrava com o seu time. Isso acabou. Hoje, o trabalhador vive longe das arquibancadas. Futebol virou coisa da burguesia. Por diversos motivos. Um deles, essa mania de sócio-torcedor que acaba privilegiando a camada mais abastada. E tem jogo onde o torcedor comum nem ingresso encontra para comprar. Prioridade é para quem paga por mês.
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Fora a questão do preço do ingresso, proibitivo para a grande maioria, há o absurdo dos horários dos jogos. Como as TVs sustentam os clubes com cotas milionárias, marcam jogos para as dez horas da noite. Imaginem um operário do ABC que levanta as quatro da manhã para pegar no trampo, sair do Morumbi depois da meia-noite, pegar ônibus, trem, chegando em casa às duas da matina?
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Infelizmente, no Brasil os clubes são reféns do poder econômico. Bem diferente da Europa, onde as federações é que determinam horários de jogos para as TVs. Lá, os clubes são milionários e as cotas de TV pouco significam na receita anual. Bem diferente do Brasil. Mas, à exemplo de outros setores, o futebolista profissional é alienado, subserviente, e sindicato existe só no papel. Se houvesse uma conscientização, lutariam pelo horário-padrão de jogos: meio de semana, 20h30, e aos sábados e domingos, 16 horas.
Time de dono
Depois da Lei Pelé, muita coisa mudou no futebol brasileiro. Jogadores de 13, 15 anos já têm procuradores. E os empresários viraram donos de times. No Paraná é uma festa. Nada contra. Mas é que a figura do clube tradicional, com seu corpo associativo, diretoria e Conselho Deliberativo, está acabando. Empresários investem e querem retorno imediato. Num rápido levantamento, somando as três divisões do Paraná, mais de 70% dos times têm donos. Se por um lado é bom, por outro há a descaracterização de equipes tradicionais, transformadas em ''barrigas-de-aluguel''.
Rapidinhas
* A participação na Taça Belo Horizonte pode render frutos ao Londrina. Olheiros gostaram de alguns jogadores, como Vitor, Ramon Vaz e Guedes.
* Como sempre, vão acabar vendendo boas revelações a preço de banana.
* Depois dos três gols contra o Santos, Keirrison já está valendo o dobro. Sorte do Coritiba.
* Enquanto o Londrina continua em recesso, é bom recordar. Jogadores que vestiram a camisa do LEC e que defenderam a seleção brasileira principal: Ado, Élber, Marinho, Paraná, Chicão, Natal, Joel Camargo.
* E mais: Abel, Zetti, Mauricio, Jurandir, Dirceu, Pinga, e Adamastor.
* Só para lembrar que o Londrina já foi o quarto time do Brasil. E hoje está mendigando uma vaga na Série D.

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