Rio, 29 (AE) - O jogo desta noite pode marcar a despedida de Antônio Lopes como técnico do Vasco. A direção do clube nega a possibilidade, mas o próprio Lopes admite um certo desgaste com o time. Um eventual fracasso do Vasco na partida com o Palmeiras, com a perda do título do Torneio Rio-São Paulo, complicaria a situação do treinador, contra quem algumas correntes do clube vêm se insurgindo. Ele, porém, poderia continuar no clube com uma outra função, a de diretor-técnico.
Integrantes de torcidas organizadas do Vasco acusam Lopes de falta de habilidade no contato com os jogadores mais polêmicos da equipe, como Edmundo e Felipe, punidos recentemente por atos de indisciplina. Felipe chegou a afirmar que não jogaria mais no Vasco, sob o comando de Lopes. A própria família do técnico acha que ele deveria descansar um período. Após a derrota para o Palmeiras no primeiro jogo da decisão do Rio-São Paulo, parentes de Lopes ficaram indignados com um grupo de torcedores que tentou cercar o carro que conduzia o treinador, na saída do Maracanã. Seguranças do Vasco e policiais militares evitaram uma confusão maior.
Uma outra crítica feita a Lopes é a de que ele estaria confirmando a sina do Vasco vice-campeão. Sob seu comando, o Vasco terminou em segundo lugar no último Campeonato Carioca, na Copa Toyota de 1998 e no 1º Campeonato Mundial Interclubes. Lopes tem 528 partidas pelo Vasco e um aproveitamento muito bom: 277 vitórias, 133 empates e 118 derrotas.
Hoje, em São Januário, ele deixou claro que não vai pedir demissão. "Só saio se essa for a decisão do Eurico ou do Calçada", declarou, referindo-se ao vice-presidente de Futebol, Eurico Miranda, e ao presidente Antônio Soares Calçada.
TIME - Lopes recuou e não confirmou se o Vasco vai atuar amanhã com três atacantes. Ele treinou ontem (28) com Edmundo, Romário e Viola na frente. Mas admitiu que pode escalar Alex Oliveira no meio-de-campo, para fortalecer a marcação. A opção por Viola, atuando mais pela esquerda, não está descartada. "Não podemos nos expor muito", disse.
Pouco depois, ele afirmou que "é preciso às vezes correr risco no futebol". Os jogadores fizeram um pacto pela vitória antes do treino. Romário não fez trabalho de campo: ficou na sala de musculação para exercícios físicos. Mais uma vez, ele e Edmundo evitaram se falar. Os dois estão confirmados no ataque.