Buenos Aires - O Brasil virou o dream team, ou time dos sonhos, na cabeça de boa parte dos jogadores depois da ótima vitória sobre o Paraguai por 4 a 1, domingo, em Porto Alegre. Realmente a seleção agradou e mereceu elogios, mas pouca gente, incluindo o elenco, lembrou de dizer que o adversário era fraco e que, dos quatro gols, dois foram marcados em cobranças de pênalti. A prova de fogo, mesmo, seria contra a Argentina. E, nesse teste, o Brasil foi reprovado.
Após a derrota por 3 a 1 para a Argentina, quarta-feira, em Buenos Aires, os atletas caíram das nuvens e mudaram o discurso, adotando a cautela até então ignorada. Deixaram de lado o rótulo de dream team e reconheceram que não são tão superiores em relação a seus adversários.
''Não somos imbatíveis, fomos surpreendidos pela Argentina, mas acho que não há motivos para preocupação, pois iremos à Copa do Mundo'', declarou Roberto Carlos. O lateral havia dito, na segunda-feira, que achava, sim, que a seleção brasileira era o dream team do futebol.
Carlos Alberto Parreira, que não havia gostado dessa história de time dos sonhos, voltou a dar declarações comedidas, embora, é importante ressaltar, tenha se mostrado encantado com o desempenho do time diante do Paraguai. ''Essa derrota para a Argentina não é o inferno, assim como a vitória sobre o Paraguai não foi o céu.''
Parreira reafirmou que, em sua opinião, os favoritos ao título mundial na Alemanha, em 2006, são Brasil e Argentina. As equipes européias, realmente, não têm mantido bom nível. Espanha, Itália, França, Inglaterra e a anfitriã Alemanha vêm oscilando bastante. Há Holanda, Portugal e República Checa, que podem surpreender, mas nenhuma dá a impressão de estar acima das duas principais da América do Sul.
''Jogamos mal contra a Argentina no primeiro tempo, mas não é por causa da derrota que deixamos de ser uma grande seleção'', avaliou o capitão Cafu. ''Não é que sejamos um dream team, mas o Brasil costuma apresentar futebol agradável, as pessoas gostam de nos ver jogando'', acrescentou Kaká, um dos que mais lutaram contra a Argentina.
Abatimento De qualquer maneira, é indiscutível a capacidade do time de Parreira e do talento de seus atletas. Não foi por acaso a festa dos torcedores argentinos na madrugada de ontem, em Buenos Aires.
Hoje, os jogadores voltam ao Aeroporto de Cumbica, de onde seguem para a Alemanha para a disputa da Copa das Confederações. A estréia será na quinta-feira, contra a Grécia . Os confrontos seguintes serão diante do México, dia 19, e do Japão, dia 22. Cafu e Roberto Carlos foram liberados para férias. O mesmo ocorre com Ronaldo.

EM BUENOS AIRES

Argentina 3

Abbondanzieri; Ayala, Coloccini e Heinze; Lucho González (Zanetti), Mascherano, Kily González e Sorín; Riquelme, Crespo e Saviola (Tevez). Técnico: José Pekerman

Brasil 1

Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Emerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Robinho (Renato). Técnico: Carlos Alberto Parreira

Árbitro: Gustavo Méndez (URU)
Estádio: Monumental de NuÀez
Gols: Crespo aos 3, Riquelme aos 17 e Crespo aos 40 minutos; Roberto Carlos aos 26 do 2º tempo

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