Gelsenkirchen - Uma vitória hoje diante da Sérvia e Montenegro, na abertura da segunda rodada do Grupo C, representará não apenas a passagem da Argentina para a segunda fase da Copa do Mundo. Será também o enterro definitivo do fantasma que ronda a seleção bicampeã mundial desde 2002, quando chegou ao Japão como favorita ao título e acabou eliminada na primeira fase.
  Para Sérvia e Montenegro, o jogo é mais decisivo ainda. Se perder, estará fora do Mundial e uma grande crise se instalará no já conturbado futebol do país. A partida será disputado no moderno estádio de Gelsenkirchen, com capacidade para 52,5 mil torcedores, às 10 horas (de Brasília).
  É verdade que a vitória sobre a Costa do Marifim por 2 a 1 na estréia diminuiu um pouco o medo de que o fantasma de 2002 voltasse a aprontar com a seleção argentina. Mas ele ainda está lá. Os argentinos não se esquecem que há quatro anos também estrearam com vitória sobre uma seleção africana e depois enfrentaram duas seleções européias (Inglaterra e Suécia), como acontecerá agora – a Holanda será o adversário na próxima partida, dia 21, em Frankfurt. ‘‘Desta vez a história não se repetirá. Tenho certeza’’, disse o atacante Crespo logo após a vitótia sobre a Costa do Marfim.
  E os argentinos estão realmente confiantes. Mas as coincidências insistem em deixá-los com a pulga atrás da orelha. O jogo de hoje deve ser disputado num estádio fechado, como aconteceu na derrota de 1 a 0 para a Inglaterra, em Sapporo. ‘‘Seria ótimo que o jogo fosse disputado com o céu como testemunha’’, disse ontem um jornalista argentino.
  Até o presidente da Federação Argentina, Julio Grondona, disse ontem que a partida é mais importante do que a contra a Holanda, na última rodada. ‘‘Este é o jogo para nós. Temos que jogar com muita garra para ganhar e por fim a uma punição muito dura que nos foi imposta há quatro anos’’, disse o dirigente.
  Para praticamente garantir a classificação com uma rodada de antecipação, o técnico José Pekerman decidiu mexer no time que venceu na estréia, o que para muitos dificilmente aconteceria. O treinador resolveu trocar o volante Cambiasso pelo meia Lucho González, surpreendendo a todos, pois o volante da Internazionale é um dos homens de sua confiança dentro de campo.
  O ataque voltará a ser formado por Saviola e Crespo, que fizeram os gols diante da Costa do Marfim. A entrada do jovem Messi, 18 anos, no decorrer da partida era dada como certa, mas o jogador do Barcelona levou uma pancada no tornozelo esquerdo e não se sabe se terá condições de jogar.
  Já Sérvia e Montenegro vai adotar uma tática suicida. Seu treinador, Ilia Petkovic, está anunciando a escalação de três atacantes – Kazman, Milosevic e Zigic –, todos com 1m80 ou mais. Mas o mais provável é que escale apenas dois, pelo menos de saída. Seja como for, a equipe vai atacar, o que não vez na derrota de 1 a 0 para a Holanda, na estréia. ‘‘Vir à Copa só para se defender não entra na minha cabeça. Se fizermos contra a Argentina o que fizemos diante da Holanda não teremos qualquer chance’’, disse o volante Koroman.
  Como se vê, o clima não é de extrema leveza.


ARGENTINA

Abbondanzieri; Burdisso, Ayala, Heinze e Sorin; Lucho Gonzalez, Mascherano, Maxi Rodríguez e Riquelme; Saviola e Crespo. Técnico: José Pekerman

SÉRVIA E MONTENEGRO

Jevric; Duljaj, Gavrancic, Krstajic e Dragutinovic; Nadj, Stankovic, Djordjevic e Koroman; Kezman e Zigic. Técnico: Ilija Petkovic

Árbitro: Roberto Rosetti (ITA)
Estádio: Arena AufSchalke, em Gelsenkirchen
Horário: 10 horas

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