Fim do dilema na Squadra Azurra
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sábado, 01 de julho de 2006
Fábio Juppa<br> Agência O Globo 
Hamburgo - Com a Itália, tudo acontece a seu tempo. Depois de um início de Copa do Mundo hesitante como manda a tradição, o time subiu alguns degraus no conceito de qualidade na vitória sobre a Ucrânia, nas quartas-de-final. Se não foi o futebol que se espera dos tricampeões do mundo, e ainda parece ser insuficiente para derrotar os donos da casa na semifinal de terça-feira, em Dortmund, pelo menos serviu para para o técnico Marcelo Lippi acabar com um dilema que vinha se arrastando desde o empate com os Estados Unidos, na segunda rodada: qual a formação capaz de cumprir o princípio básico do futebol italiano, defender com excelência, sem deixá-lo vulnerável no ataque.
Com atuações convincentes, Francesco Totti e Luca Toni, que enfim desencantou ao marcar seus dois primeiros gols na competição, garantiram um lugar entre os onze titulares, pondo fim à dúvida de Lippi sobre optar ou não por Alessandro del Piero e Alberto Gilardino. Amparado por um meio-campo com grande poder de marcação, formado pelo incansável Gattuso, Pirlo, Perrota e Camoranesi, que tem fôlego para marcar e chegar na frente, Totti teve liberdade para jogar mais solto, fazendo com eficiência o papel de elo de ligação entre o setor e Toni, quase como um segundo atacante. Perguntado se os dois eram a nova dupla de ataque da Azzura, Lippi não quis confirmar, embora o sorriso com que respondeu tenha dado a entender que sim: ''Estou muito satisfeito em tê-los de volta e em boas condições, isso é bom para o time.''
Toni, que logo após a partida começou a ser comparado a Paolo Rossi, também evitou entrar em detalhes sobre o time que enfrentará a Alemanha, embora não se imagine deixando o time justamente em seu melhor momento. ''Fiquei feliz com os gols que marquei. O jogo com a Alemanha será difícil, pois eles são bastante competitivos, mas tenho certeza de que o nosso desempenho será ótimo. Não faço a mínima idéia de quais jogadores serão escalados, apenas desejo nossa vitória.''
O confronto com a Alemanha será mais uma prova para a melhor defesa do mundo, que travará um duelo particular com Lucas Podolski e Miroslav Klose, artilheiro do Mundial com cinco gols. Alessandro Nesta vem se recuperando de uma lesão muscular e deve voltar à zaga com Fábio Canavarro, que admitiu dificuldades com o ótimo preparo físico dos ucranianos, problema que deverá se repetir diante do vigoroso time alemão. Assim como aconteceu com Shevchenko, que passou a maior parte do tempo isolado entre os zagueiros italianos, Lippi deve montar o sistema defensivo para evitar a forte jogada aérea alemã com Klose. Um dos trunfos da equipe é a boa fase de Gianluca Zambrotta, autor do primeiro gol contra a Ucrânia e da ótima jogada que resultou no terceiro, marcado por Toni.
''Acho que todos vêm crescendo, estamos determinados e concentrados naquilo que temos de fazer'', afirmou Zambrotta, que levou um cartão amarelo contra a Ucrânia e, caso a Itália passe pela Alemanha, não poderia jogar a final, no caso de levar outro.
As críticas da imprensa alemã à Itália devem incendiar o confronto de terça-feira. A revista ''Der Spiegel'' fez uma matéria em que chamou os italianos que moram na Alemanha de ''parasitas, filhinhos de mamãe e pegajosos'', criando um clima pouco amistoso para o confronto. ''Como capitão da seleção, sinto-me ofendido'', disse Alessandro Nesta. ''É inadmissível que isso aconteça num país civilizado como a Alemanha.''


