Fim da linha para handebol de Londrina
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Bicampeão da Liga Nacional e campeão Pan-Americano, o time de handebol masculino de Londrina chegou ao fim ontem. O técnico Giancarlos Ramirez, que é também um dos fundadores da equipe, anunciou oficialmente que as atividades estão encerradas, e que, portanto, a cidade não terá representante na Liga Nacional 2013, prevista para começar no final deste mês.
Sem dinheiro sequer para realizar o pagamento dos seus jogadores, Ramirez já havia interrompido os treinamentos há cerca de duas semanas. Neste intervalo, ele intensificou as buscas por patrocinadores, chegou a conversar com o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) para pedir apoio, mas não obteve retorno até ontem e decidiu, então, parar em definitivo.
"Resolvi parar com tudo, infelizmente. Depois de 15 anos terminar dessa forma é muito triste, não era assim que a gente queria, mas sozinho não dá mais. Tentei de todos os lados, mas não foi possível", disse, resignado, o treinador, confirmando que desiste não somente da equipe adulta, como dos dois polos de formação que a associação mantenedora da equipe ainda mantinha na cidade.
O anúncio feito ontem pelo treinador era uma tragédia já anunciada desde o início do ano. Desde que a Unopar deixou o posto de patrocinador máster, no final do ano passado, Ramirez lutava para encontrar alguém disposto a "abraçar a equipe". Chegou a fechar com dois parceiros menores, porém, insuficientes para manter o elenco na ativa durante toda a temporada.
Mesmo com orçamento bastante reduzido, a equipe chegou a disputar a Copa Brasil, na qual foi vice-campeã, os Jogos Abertos Brasileiros terminou na terceira posição -, e duas etapas do Campeonato Paranaense, mas como boa parte da verba foi gasta, a diretoria acabou ficando sem o dinheiro para completar a contrapartida do convênio com o Feipe (Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos), no valor de R$ 120 mil/ano.
Para o treinador, o atraso na liberação da verba do Feipe, que só aconteceu no mês passado, foi o grande "vilão" da história. "O atraso do Feipe foi determinante, pois tivemos que usar o dinheiro que tínhamos e agora não temos para completar a contrapartida", disparou o técnico, que contava ter apenas 50% da verba necessária para bancar a contrapartida de R$ 60 mil.
Em dezembro de 2007, o time viveu crise semelhante quando a Unifil Londrina decidiu deixar o projeto. No entanto, daquela vez o treinador conseguiu poucos dias depois um acerto com a Unopar. Com ela, a telefônica Sercomtel e o dinheiro do Feipe leia-se Prefeitura de Londrina -, o time teve bons momentos, mas passou a enfrentar problemas com cortes em seu orçamento nos últimos dois anos. Situação que só se agravou no final do ano passado, quando a instituição de ensino deixou o posto de patrocinador máster para continuar apenas fornecendo 20 bolsas de estudo.
"Coincidiu da Sercomtel 'quebrar', da Unopar ser vendida e da Prefeitura de Londrina cortar os gastos, foi tudo de uma vez. Se perde um, a gente se vira, mas foram nossos três pilares de uma vez. E tudo isso não tinha como prever", justificou o treinador.
Como a vaga na Liga Nacional é da associação de Ramirez, ele negocia para levar seu time completo para uma cidade da região, que tem interesse em manter o time e disputar o brasileiro do ano que vem.


