FIFA
Fim da Era
Havelange
Blatter ou Johansson na vaga de Havelange
Agência Estado
O futebol mundial troca de mãos a partir de hoje. O brasileiro João Havelange deixa o cargo de presidente da Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) após 24 anos, no mais longo mandato da história da entidade. Cento e noventa e dois delegados de federações nacionais de todo o mundo, vão escolher entre o suíço Joseph Blatter e o sueco Lennart Johansson para dirigir o esporte mais popular do planeta. O primeiro é o atual secretário geral da Fifa e tem o apoio de Havelange. O segundo dirige a poderosa Uefa, a entidade que reúne as federações européias.
O 51º congresso da Fifa, que vai acontecer no salão Equinoxe do Aquaboulevard, em Porte Sévres, Paris, será aberto às 9 horas (4 horas em Brasília) e deverá se estender até as 13 horas (8 horas em Brasília). Os delegados deverão escolher o novo presidente por voto secreto e individual de cada um dos presidentes das federações, apesar de ainda haver divergências sobre a forma de votação.
Havelange quer o voto individual, enquanto que o grupo de apoio a Johansson exige que o representante da federação seja acompanhado de dois delegados desta federação. O objetivo é eliminar o risco de que um presidente de federação votar num candidato não escolhido pela federação que represente. O resultado deve ser conhecido no mesmo dia.
O novo presidente da Fifa vai administrar uma fortuna. Segundo as contas apresentadas por João Havelange, a entidade tem hoje um patrimônio de US$ 100 milhões em imóveis, além de quatro bilhões de francos suíços em caixa. A arrecadação projetada para as duas próximas copas do mundo dão margem a que a entidade gaste pelo menos US$ 500 milhões ao ano, diz o atual presidente.
Além disso, há o poder político. O vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore por exemplo, pediu pessoalmente que Havelange reconhecesse as federações de futebol de Israel e da Autoridade Palestina, interessado num avanço no processo de paz no Oriente Médio.
A sucessão de Havelange provocou uma guerra nos bastidores da Fifa. Esta é a primeira vez, desde 74, quando o brasileiro foi eleito para seu primeiro mandato em substituição ao inglês Stanley Rous, que um candidato não será eleito por aclamação. Naquele ano, após ter sido eleito, Havelange declarou: ‘‘Fui eleito para um período de quatro anos e permanecerei no cargo por esse período. Quero apenas interromper o continuismo de Stanley Rous’’, disse. Ficou quase um quarto de século.
Considerado um ditador, nenhum dos dois candidatos quis ligar seu nome diretamente ao de Havelange. Mesmo Blatter, que é chamado de um filhote de Havelange, tenta evitar essa ligação. Johansson, por sua vez, ataca o brasileiro diretamente. Diz que um de seus primeiros atos quando assumir a presidência será promover uma devassa nas contas da Fifa. ‘‘É estranho que esse tipo de coisa aparece agora, às vésperas da eleição’’, diz Havelange. ‘‘Nos 24 anos minhas contas nunca foram rejeitadas, porque não havia motivos para isso. Acontece que muitas pessoas querem que a Fifa volte a depender da Uefa, coisa que não vai acontecer’’, diz. Para Havelange, devassa nas contas ‘‘é conversa para boi dormir’’.
Os africanos poderão se transformar no fiel da balança nas eleições. Tanto, que os dois candidatos prometem realizar lá a Copa do Mundo de 2006. Blatter, assim como Johansson, já disse que, se eleito, fará o primeiro mundial de futebol do continente africano. África do Sul e Marrocos aparecem como os países com maior possibilidade. Mas terão de concorrer com Alemanha e Inglaterra, outros dois países que também desejam sediar o Mundial.

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