Filipe e Pedro: quem sai bem do embate?
Filipe inaugurou uma nova fase no tratamento de jogadores: não são intocáveis e não devem ser protegidos
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de julho de 2025
Filipe inaugurou uma nova fase no tratamento de jogadores: não são intocáveis e não devem ser protegidos
Julio Oliveira 

O Brasileirão voltou. Gols bonitos e nos acréscimos. Jogos com bom público. E polêmicas. Este é o nosso futebol, que voltou mantendo sua identidade, mesmo que as partidas não tenham sido, tecnicamente, diferentes antes da parada. Mas o assunto “Pedro” dominou a rodada, e não só por não ter sido relacionado para o jogo do Flamengo com o São Paulo, mas pela entrevista de Filipe Luís após a partida.
O técnico do time carioca não se esquivou das perguntas e discorreu por todos os pontos que levaram a comissão técnica a tomar tal decisão. O que poderia ser apenas um problema interno, virou público pela sinceridade e clareza em debater o assunto. Jogadores, que hoje fazem quase tudo o que querem por ser estrelas e ficam acima de um julgamento, também foram surpreendidos.
Decisões internas estão dentro das normas que cada empresa ou clube tem, mas há de se destacar a clareza com que Filipe Luís encarou as perguntas. Para mim, Filipe inaugurou uma nova fase no tratamento de jogadores: não são intocáveis e não devem ser protegidos. Pedro perdeu a linha, não tem a aprovação do grupo e agora perdeu o apoio. O “bom moço” para a torcida não tem sido um bom companheiro de treino, tem feito pouco caso dos exercícios e ficou isolado pelo elenco.
Não é comum técnicos comprarem brigas com jogadores, porque sabem que vão passar e o atleta vai permanecer e a torcida vai estar sempre ao lado do ídolo. Mas a postura de Filipe mostra que o futebol não precisa ser feito atrás de paredes intocáveis, que assuntos internos de um produto público não possam ser debatidos abertamente. Às vezes, a exposição tem suas táticas, mas não vejo isso aqui.
No Corinthians, Memphis Depay faltou a um treino na semana e o tratamento foi muito diferente. Deveria ser punido? Isso é para a diretoria do clube decidir, mas a maneira com que foi tratado mostra para o restante do elenco uma política de subserviência. Parabéns ao Filipe, um técnico também se forma na postura.


