São Paulo - Pai e filho trabalham juntos na comissão técnica do Santos. Gabriel Oliveira observa os próximos adversários e sugere ao pai/treinador Oswaldo de Oliveira as estratégias de jogo. Já era assim no Botafogo, último clube de Oswaldo. Lá e cá, os dois preferem não misturar as estações pessoais e profissionais e evitam falar sobre o tema. Nem os jogadores comentam o fato.
Com Pepe e Alexandre, o Pepinho, a afeição é mais escancarada. O técnico do time júnior do Santos não se acanha em dar um beijo estalado no rosto do lendário pai. Mas não se atreve a se sentar na poltrona do chefe da família, nem mesmo na hora da foto. Paulo Zagallo, por sua vez, não se sente confortável com o apelido de Zagallinho e afirma que tem a sua própria identidade
Os relatos de viagem de pais e filhos que trabalham como treinadores traçam alguns padrões. O sobrenome famoso abre portas, mas amplifica as cobranças. E, em algum momento, o filho sente a necessidade mostrar seu próprio RG. Histórias de continuidades e rupturas.
Com a mesma canhota potente do pai, que foi apelidado de Canhão da Vila, Pepinho tinha de tentar ser jogador. O pai conta que os treinadores teimavam em escalá-lo fora de posição - era meia e queriam que ele jogasse na lateral - e a carreira não vingou. Depois de uma bem-sucedida loja de discos, que virou referência em Santos, Pepinho quis ser treinador no fim dos anos 90. Decisão de gente grande, que encaixou o sonho de ser jogador no recipiente da vida adulta. Mais importante ainda foi decidir iniciar a carreira fora do Santos. "Havia uma cobrança grande e até uma desconfiança. Afinal, todo mundo sabia que eu era filho do Pepe".
Um parêntese histórico: José Macia, o Pepe, é o segundo maior artilheiro do Santos, com 405 gols. Considerando que Pelé é hors concours, ele é o cara. Depois de 15 anos de carreira e 14 clubes, Pepinho voltou ao Santos preparado. Ganhou títulos importantes com os jovens, como a Copa São Paulo de Futebol Júnior, e já preparou uma nova fornada de Meninos da Vila formada por Stéfano Yuri, Diego Cardoso, Lucas Otávio e Serginho
Ele saiu-se tão bem que já foi sondado pela diretoria para fazer um plano de carreira e se especializar na formação de novos talentos. Continua a ser o filho do Pepe, mas trilhou seu caminho, como ele mesmo diz. "Eu fico mais nervoso assistindo aos jogos do time dele do que aos meus, quando eu era treinador", confessou Pepe, hoje com 79 anos, que conquistou vários títulos como treinador, como os Paulistas de 1973, pelo Santos, e 1986, pela Internacional de Limeira, e o Brasileirão daquele mesmo ano, pelo São Paulo.

Nome próprio
Paulo Zagallo conta que sua carreira de treinador começou ainda na infância, quando via seu pai preparar a seleção que foi tricampeã no México, em 1970. "Aquelas cenas ficaram na minha mente, foram fixadas e tenho muito orgulho de tudo o que aprendi com ele".
Aqui entra aquela história de continuidade e ruptura. Apesar da influência do tetracampeão mundial (duas vezes como jogador, uma como técnico e outra como coordenador), Paulo se prefere ser chamado pelo primeiro nome. Foi assim em todos os clubes em que passou, como Madureira, Tupi-MG e Aquidauanense-MS. Agora, procura uma oportunidade no futebol paulista. "Os clubes de São Paulo têm boa estrutura e, apesar de ter feito muitas outras coisas, como ser gerente de banco e comerciante, minha profissão é técnico de futebol. Está no sangue".

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