Filhos de famosos tentam vingar no futebol
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quarta-feira, 05 de setembro de 2012
Gonçalo Júnior<br>Agência Estado 
São Paulo - Lucas não herdou apenas a cor dos olhos e o sorriso discreto do pai, o ex-jogador Macedo. Herdou também a habilidade, a familiaridade com a bola para infinitas embaixadas. Está em seu DNA também o faro de gol. Isso, as imagens não captaram.
O jovem atacante, que joga na equipe sub-15 do Palmeiras, queria escrever apenas Macedo em sua camisa. Impossível maior homenagem ao pai, aquele atacante arisco bicampeão brasileiro, da Copa Libertadores e do Mundial pelo São Paulo. Apesar do chamego, o patriarca quis diminuir o peso do passado nas costas do filhão e o batizou - agora para o futebol - como Lucas Macedo. "Meu pai falou que não devo ouvir o que falam, as comparações. Tenho de fazer minha carreira".
Fábio ficou assustado quando recebeu um abraço do pai no churrasco para comemorar o título carioca do Fluminense no primeiro semestre. Tinham ficado mais distantes depois que começaram a trabalhar juntos, no início do ano.
O volante de 19 anos não pode chamá-lo de pai perto dos outros e, para que não sejam vistos juntos, pega o táxi de casa para o treino nas Laranjeiras. Na camisa, escreve Fábio, nome próprio, mas comum. O sobrenome Braga, o mesmo do pai e técnico que o abraçou no churrasco, vai continuar invisível. "A pressão acaba sendo muito grande. O Abel pai fica em casa, aqui é treinador e a cobrança é até maior. Venho mostrando meu valor e aos poucos vai acabar o preconceito de ser apenas o filho do Abel".
As trajetórias de Lucas Macedo e Fábio Braga mostram que o sobrenome famoso nas costas pode dar asas ou pesar como uma bigorna. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. Mattheus não disse que era filho do atacante Bebeto quando começou a treinar no Flamengo - o menino é aquele homenageado pelo pai no "nana, neném" na Copa do Mundo de 1994.
"Quando ele fez teste no Flamengo, fiz questão que não soubessem que ele era meu filho para não influenciar no resultado. Se ele tivesse talento, seria escolhido porque mereceu. E assim aconteceu. Só descobriram que ele era meu filho depois, quando chamaram os pais para registrá-lo no clube", contou o tetracampeão. "Quem quer jogar em time grande, tem de superar a pressão", opinou Mattheus, que é a cara - e o futebol - do pai.
A relação é sempre assim, uma via de mão dupla: como o lateral que vai ao ataque, mas tem de voltar para marcar. "Gosto das opiniões dele. Meu pai está sempre presente. É como se eu tivesse um treinador dentro de casa", contou Renan, juvenil do Flamengo e um dos filhos do ex-atacante Donizete. O outro filho, Bruno, joga no Volta Redonda. "O Renan e o Bruno viram as minhas alegrias e tristezas. Sempre digo a eles para comemorarem muito as vitórias, as glórias, mas com os pés no chão", disse Donizete, que vai a todos os jogos.
Caminho
Lucas Macedo, grandalhão para sua idade e que já percebe sua voz oitavar, está seguindo esse conselho, a ladainha de todos os pais. Acabou de ser campeão do Brasileiro Sub-15 pelo Palmeiras e ganhou o Paulista Sub-13 pelo Santos no ano passado. Por essas e outras, Macedo acredita que a carreira já segue curso independente. "Um menino de 11 anos que decide morar sozinho mostra uma força de vontade incrível, né?" Deixando de lado o pai coruja, é melhor ouvir o técnico, o português Marc dos Santos. "Ele tem explosão e uma aura para o gol", elogiou. "Falta concentração, mas isso é comum nos atletas dessa idade".
Romário está concentrado em ver Romarinho, hoje no Vasco, com a camisa do Barcelona, a mesma com que foi eleito o melhor do mundo em 1994. Foi o próprio Baixinho que revelou uma negociação com o time catalão, mas o pimpolho desmentiu. "Meu pai tem vontade de me ver com a camisa do Barcelona, mas não tem nada no momento. Estou concentrado no Vasco".
Quase sempre, os filhos têm de desatar esses nós dos pais. O atacante Rodrigo, filho de Roberto Dinamite, por exemplo, só foi para o Vasco em 2008 quando os rivais políticos do pai (leia-se Eurico Miranda) saíram do clube. Hoje, segue os passos - literalmente - do artilheiro. (colaborou Leonardo Maia, do Rio de Janeiro)


