Filho de peixe, peixinho é
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 2009
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
A família Yabe já virou sinônimo de tradição quando assunto é natação. Tudo começou nos anos 70, época que Sérgio e Hugo Tavares Yabe foram incentivados pelos pais a mergulhar de ponta nas piscinas. A fórmula deu certo, tanto que inflenciaram o próprio pai, Floriano Yabe, a ingressar no esporte quando uma contusão no joelho afastou o patriarca da sua verdadeira paixão: o futebol. De quebra, o neto Diogo é um dos maiores talentos do país nas piscinas atualmente.
De acordo com Sérgio, que é pai de Diogo, seu irmão Hugo foi o primeiro a se destacar faturando títulos como campeão sul-americano, brasileiro e paranaense. Ele conta que Hugo na época era visto como ''um ícone para a geração dele''. Na esteira do sucesso do irmão, Sérgio aproveitava as oportunidades para obter destaque no circuito aquático. ''Londrina era um celeiro da natação. Quando convidaram o Hugo para nadar pela Gama Filho (no Rio de Janeiro), aproveitei e fui junto'', recorda.
A aventura durou entre 1970 e 1987, quando obrigações como família e trabalho tirou Sérgio Yabe das raias. Dentre as lições de vida que a natação ensinou, elenca o contato constante com a vitória e a derrota como a experiência mais importante. Além disso, serviu como bagagem para incentivar os três filhos a virarem nadadores.
Com o passar dos tempos, Diogo foi o que alcançou status de atleta profissional. Ele detém 10 medalhas de ouro pelo Troféu Brasil e as conquistas mais recentes foram no Open Holandês de Natação, onde faturou dois primeiros lugares: nos 200 e 400 metros medley, modalidade na qual é especialista.
Ele começou a cair na água em 1989, quando Londrina mantinha um circuito mais ativo de nadadores. Diogo conta que há 10 anos atrás havia sete equipes de clubes que competiam entre si. ''Hoje se tiver duas é muito, coisa que acho triste comentar. Percebo que muitos possuem talento, mas a estrutura existente é pouco utilizada'', analisa.
Como os clubes passam por um momento difícil, a única alternativa é buscar apoio em outras instituições como o governo (programas de incentivo ao esporte) ou patrocinadores privados. ''Este é um dos caminhos para ser atleta'', pontua. Outra alternativa seria reativar o circuito de natação local, promovendo competições interclubes para o esporte voltar a crescer na região.
O londrinense considera César Cielo como o grande nome da natação brasileira na atualidade. Ele cita a conquista do ouro olímpico e recentemente do título mundial, em Roma, na última semana, como os maiores feitos do companheiro de piscinas.
Falando sobre futuro, Diogo costuma planejar tudo com cautela e ressalta que possui planos a curto prazo, como melhorar a cada ano os tempos na piscina.
''Ainda faltam dois anos para as Olimpíadas e não dá para pensar nisto. Tem que ser uma coisa de cada vez e quatro anos é muito tempo. Podem acontecer muitas coisas e por isso procuro não sonhar muito'', arremata.


