Valmir Denardin
A empresa de material esportivo Football Mania, pertencente a Guilherme Moura, filho do presidente da Federação Paranaense de Futebol e chefe da delegação brasileira na Copa América, Onaireves Moura, está lucrando com a permanência da Seleção Brasileira em Foz do Iguaçu.
Um ônibus da empresa, adaptado para funcionar como uma loja ambulante, está percorrendo os locais de treino da equipe de Wanderley Luxemburgo na cidade para vender seus produtos - principalmente camisetas de clubes e da Seleção. Ao contrário da maioria dos vendedores ambulantes que atuam nos estádios do ABC e Pedro Basso, o veículo desfruta de privilégios.
No ABC - local que concentra a maioria dos treinos - o ônibus-loja é o único veículo com permissão para entrar no estádio. No Pedro Basso, estaciona na rua que dá acesso aos dois portões. Nos dias de treino, essa rua é isolada pela PM, o que facilita a chegada das pessoas ao ônibus.
Sediada em Curitiba, a Football Mania possui cinco lojas e um atacado na capital paranaense, que revende material esportivo para cerca de 300 lojas no País. O ônibus costuma viajar a cidades que sediam competições para divulgar e vender seus produtos.
Anteontem, durante treino da Seleção no Estádio Pedro Basso, a Folha encontrou Onaireves Moura (foto) no ônibus da empresa de seu filho. Ele negou que a Football Mania tenha privilégios na venda de produtos. Garantiu que a empresa está pagando à prefeitura e à diretoria do Clube ABC, dono do estádio homônimo, para vender seus produtos nesses locais.
Ademir Flor, presidente do ABC, confirmou ontem que a Football Mania está ‘‘retribuindo alguma coisa ao clube’’ para poder estacionar dentro do estádio, onde se reúnem, em média, 3 mil pessoas por treino. Ele se recusou a revelar qual é a forma de retribuição. Flor também negou que haja privilégio. ‘‘Se alguém tiver outro ônibus desse tipo, as portas estão abertas’’, afirmou.
Jamil Leite da Silva, chefe da Divisão de Comércio Informal da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, negou que a Football Mania esteja pagando alguma taxa à prefeitura. Segundo ele, durante a Copa América, a secretaria decidiu abolir a cobrança de uma diária de R$ 3,00, estabelecida no Código de Posturas do Município, para as empresas de fora que vêm à cidade vender seus produtos nas ruas. A medida teria o objetivo de estimular o comércio durante a Copa América.
Onaireves disse que a loja de seu filho vende as camisas de times ‘‘mais baratas do Brasil’’ e beneficia os clubes, porque o fabricante licenciado paga royalties para a confecção do material. Além do suposto favorecimento à empresa do filho, Onaireves enfrenta outro problema: um movimento organizado por deputados federais, que querem a saída dele do cargo de chefe da delegação. Liderado por Aldo Rebelo (PC do B-RJ), o grupo alega que Onaireves não tem idoneidade para ocupar o cargo. Em 1993, ele teve o mandato de deputado federal cassado, acusado de subornar colegas para ingressar no partido que preside, o PSD.
Onaireves afirmou que está cumprindo sua função como chefe da delegação e que não vai deixar o cargo. ‘‘Por que eu renunciaria?’’, perguntou. ‘‘Esse deputado (Rebelo) só quer aparecer. Que contribuição ele deu ao futebol?’’ O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, já garantiu a permanência de Onaireves no cargo. O ministro de Esporte e Turismo, Rafael Greca, que recebeu carta dos deputados, ainda não se pronunciou sobre o caso.

mockup