Imagem ilustrativa da imagem Filhas de campeões de taekwondo seguem os passos dos pais
| Foto: Érika Gonçalves



A atleta e técnica Carmen Carolina nem imaginava, quando ainda adolescente começou a levar o irmão para as aulas de taekwondo na zona norte de Londrina, que aquela futuramente seria a sua profissão. Primeira brasileira a participar de uma Olimpíada pela modalidade, em Sidney, no ano 2000, ela também participou de Mundiais e Jogos Pan-americanos. Depois se tornou técnica da Seleção Brasileira, participou das Olimpíadas do Rio de Janeiro e hoje se dedica a incentivar e acompanhar a filha Júlia, 13, que também dá os primeiros passos no esporte. Carmen dá aulas em Rio Claro, no interior de São Paulo, onde reside atualmente.

Assim como a mãe, a garota não demonstrava interesse em se tornar uma atleta até pouco tempo. Nesta semana ambas estiveram em Londrina, cidade natal de Carmen, para a garota treinar na Academia Madureira Taekwondo. Carmen e Fernando Madureira, atual presidente da FEL (Fundação de Esportes de Londrina) foram companheiros de treinos, depois no curso de Educação Física e também na Seleção Olímpica. Curiosamente, hoje as filhas de ambos também são colegas e esporadicamente treinam juntas.

"Júlia faz taekwondo desde os três anos de idade. Eu não queria que ela fosse uma atleta, mas queria que ela fosse faixa preta. Ela participava das aulas durante um tempo e depois parava. Perto dos exames de faixa voltava a treinar novamente. Ela nunca gostou muito do taekwondo, acredito que por ser aquilo que nos separava, já que eu viajava muito. Minha decisão de parar depois das Olimpíadas também teve a ver com ela, que já vinha me pedindo", revelou Carmen.

Depois de sair da Seleção, ela continuou como técnica e no ano passado viajou para acompanhar atletas que iriam participar de uma competição nos Estados Unidos. "Na volta íamos parar em Orlando e por isso levei a Júlia conosco. Lá ela me viu trabalhar com a equipe e depois de algum tempo me perguntou como fazia para participar também. Ela voltou a treinar e não parou mais. Estivemos em Londrina no ano passado para participar do Campeonato Brasileiro e ela conquistou o terceiro lugar na Categoria Cadete", diz orgulhosa.

Agora a adolescente se prepara para embarcar novamente para os Estados Unidos, desta vez para competir, no US Open Las Vegas Taekwondo 2018. A competição vale 20 pontos no ranking internacional. Bastante tímida, Júlia diz que quer se tornar conhecida por si mesma e não como a 'filha da Carmen'. "Já disse para ela que durante um tempo ela será minha filha sim, mas depois eu serei a mãe dela. Vejo que ela tem talento mas também tem força de vontade."

Liz Madureira e Júlia treinam juntas e seguem os passos dos pais na modalidade
Liz Madureira e Júlia treinam juntas e seguem os passos dos pais na modalidade | Foto: Érika Gonçalves



DE PAI PARA FILHA

Dois anos mais nova que sua colega, Liz Madureira, 11, também é bastante esforçada e já segue uma rotina de atleta, segundo seu pai. "Às vezes estamos em uma festa e ela já quer ir embora, para dormir cedo. Nunca a pressionei, mas vê-la dando continuidade ao processo é emocionante", explica Madureira.

Liz já participou de dois campeonatos brasileiros infantis e ficou em terceiro lugar em 2015 e 2016. Cauteloso, o pai diz que busca não acelerar o processo de forma a não causar desgastes físicos e psicológicos, já que a carreira exige muito do atleta. "Neste ano iremos participar de algumas competições nacionais e somente em 2019 ela deverá viajar para as internacionais. Estamos construindo aos poucos."

Devido à diferença de idade, é provável que as meninas só participem de competições juntas quando adultas e Madureira torce para que seja em categorias diferentes. "Assim poderemos ter duas representantes", torce.

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