Filha motiva Helinho a buscar título da Indy
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Fabrício Lima<br> Agência Estado 
São Paulo - Com o terceiro título nas 500 Milhas de Indianápolis, em 2009, Hélio Castroneves fez história no automobilismo. Mas o piloto que saiu do interior de São Paulo para ser estrela nos Estados Unidos ainda não foi campeão da Fórmula Indy após nove anos na equipe Penske.
Em 2010, espera quebrar a escrita, já que ganhou uma nova motivação: a filha Mikaella, nascida no fim do ano passado. Outro estímulo será a abertura da Indy nas ruas de São Paulo, no Sambódromo do Anhembi, no dia 14 de março.
Agência Estado - Está feliz por voltar ao Brasil?
Helinho Castroneves - Estou ansioso porque é muito legal voltar a correr em uma categoria top no meu país, ter amigos e familiares por perto. E será em uma pista diferente, antes foi no oval do Rio, mas agora é na rua, na marginal, no sambódromo... Acho fantástico, empolgante.
AE - Você acreditava mesmo na prova? Quase foi em Ribeirão (Preto)...
Helinho - Foi uma certa surpresa porque o pessoal demorou para dizer se iria ser no Rio de Janeiro, em Ribeirão Preto, em Salvador... Infelizmente não será lá (Ribeirão), mas o importante é a prova no Brasil. Ficou um pouco na dúvida, como eu disse, mas ainda bem que será possível realizar isso.
AE - Você acha que o prazo é tranquilo? Vai dar tempo para montar toda a estrutura da prova? Falta pouco mais de um mês...
Helinho - Tranquilo não está. Sem dúvida, por ter o carnaval no meio pode ser até que atrase um pouco. Falei com o pessoal e a pista está sendo formada como se fosse a montagem de um avião. Uma parte construída de um lado (do Anhembi) e uma do outro. Quando o carnaval terminar eles vão colocar essas peças juntas e a pista vai estar praticamente montada. O pessoal está confiante de que não vai haver problema.
AE - Tecnicamente, o que você achou do circuito? Tem algum trecho que te chamou mais a atenção?
Helinho - É uma pista rápida, mas ao mesmo tempo com umas curvas bem lentas. O mais importante em uma reta de um quilômetro e meio (na via local da Marginal Tietê) é saber que você pode ganhar muito tempo no trecho tirando pressão (aerodinâmica) do carro. Mesmo assim, você precisa ter um carro bem equilibrado para frear a 300, 320 (km/h) e fazer um contorno bom da curva. É uma combinação complicada para os engenheiros e pilotos. Ninguém tem vantagem e quem sair com o acerto melhor vai ter um bom resultado.
AE - Como ainda tem motivação após tanto tempo de carreira?
Helinho - Eu amo o que faço. Depois do que passei, principalmente o ano passado, realmente descobri que o automobilismo é a minha vida.
AE - Por falar nisso, a notícia do seu julgamento nos Estados Unidos (problemas com o fisco) apareceu mais no Brasil do que sua absolvição. Isso te chateou de alguma forma?
Helinho - Sempre a notícia ruim é a que vende. Não adianta, cada um tem seu lado e quer falar e escrever o que quer. Não posso controlar, mas o bacana foi que recebi muito apoio dos fãs, sobretudo aqui nos Estados Unidos. Não carrego mágoa porque minha resposta veio na pista ganhando a terceira vez em Indianápolis e todo mundo pôde ver isso.
AE - Sua vida mudou depois disso e do nascimento da sua filha?
Helinho - Mudou. Estou construindo uma família e contente por ter essa gatinha em casa. Quero dividir os momentos contentes, felizes com ela, carregar no pódio a minha filhinha, mostrar para todo mundo com orgulho.
AE - E na corrida em São Paulo, promete alguma coisa especial?
Helinho - Estou ansioso para escalar a grade, como faço aqui. Será muito bacana dividir essa emoção com o torcedor brasileiro.


