Figurantes, Murilo e Nezinho lutam por espaço na seleção de basquete
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
Amanda Romanelli<BR> Agência Estado 
São Paulo - O caminho que leva Murilo e Nezinho para Istambul é muito maior do que aquele percorrido pela maioria de seus colegas na seleção brasileira masculina de basquete. O pivô e o armador tiveram que disputar o Campeonato Sul-Americano de Neiva, na Colômbia, antes de serem ''puxados'' da equipe B para o time principal. Com eles no grupo, o Brasil estreia no sábado no Mundial da Turquia, em duelo contra o Irã.
Apesar das várias oportunidades que já tiveram na seleção, os dois jogadores garantem que estão prontos para o papel de figurantes na seleção. ''A ideia é compor o grupo e ajudar quando estiver em quadra'', diz Nezinho, de 29 anos. Mas ambos podem, diante das circunstâncias, roubar alguns minutos dos protagonistas. Marcelinho Huertas, Anderson Varejão e Tiago Splitter não estão em perfeitas condições físicas - em algum momento da preparação para o Mundial, já estiveram fora dos amistosos por precaução ou recuperação de lesão.
Saúde, ao que tudo indica, não falta aos dois. Murilo e Nezinho estão com a seleção desde a primeira fase de treinamentos, que começou em 24 de junho e visava apenas ao Sul-Americano - o torneio continental foi disputado entre 26 e 31 de julho.
''O ritmo está bastante puxado. São quase dois meses treinando, jogando. Não tive 48 horas de folga'', conta Murilo, de 26 anos, que defende o São José, atual campeão paulista. Para Nezinho, a correria vem desde o NBB - seu time, o Brasília, garantiu o título em 6 de junho. ''Pois é, sou campeão brasileiro e sul-americano, agora tenho que manter'', ressalta o armador. ''É brincadeira, claro, mas esse é o pensamento de todos os dias: fazer um bom papel com a seleção.''
Com o time principal, os dois treinam desde 2 de agosto e já passaram por Rio, Brasília, Nova York, LogroÀo (Espanha) e Lyon. Murilo e Nezinho também fizeram parte da equipe que disputou o Mundial do Japão, em 2006, no qual o Brasil amargou sua pior campanha (19º lugar). Também estiveram no Pré-Olímpico de Las Vegas, em 2007. A competição, que ficou marcada pelo racha do grupo comandado por Lula Ferreira, foi a última do armador antes do Sul-Americano. Na época, Nezinho recusou-se a entrar em quadra em uma das partidas. Murilo ainda atuou no Pré-Olímpico Mundial, em Atenas, no ano seguinte.
Por isso, depois do título sul-americano, que marcou a volta de ambos para a seleção, o desejo é de mostrar que podem ser úteis. ''Joguei a minha vida inteira no Brasil, com exceção de um ano. Só eu sei a luta que foi para estar aqui'', avisa Murilo. Para Nezinho, é a chance de apagar erros do passado. ''A convocação foi emocionante.''
Vitória
A seleção brasileira se despediu com vitória da série de amistosos preparatórios para o Mundial da Turquia com uma vitória por 79 a 66 sobre a França, ontem, em Lyon.


