Fifa quer regras rígidas para evitar suborno
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por José Emílio Aguiar 
Rio, 05 (AE) - Precavida depois do escândalo de suborno envolvendo integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) na escolha de Salt Lake City como sede da Olimpíada de Inverno de 2002, a Fifa estabeleceu regras muito rígidas para evitar que o mesmo aconteça na escolha do país sede da Copa do Mundo de 2006. A Fifa proibiu até que os países candidatos façam almoços, jantares ou coquetéis de recepção aos seus delegados.
As recomendações foram assinadas pelo secretário-geral da Fifa
o suíço Michel Zen-Ruffinen, e entregues aos presidentes de todas as federações ou confederações nacionais candidatas. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, recebeu uma cópia do documento, junto com o caderno de encargos, que lista todas as exigências que a Fifa faz aos países candidatos em relação à infra-estrutura e investimentos.
A Fifa proíbe que as confederações e federações nacionais ocupem quartos no mesmo hotel em que estarão os delegados da Fifa durante as visitas de inspeção, que serão realizadas entre agosto deste ano e janeiro de 2000. Também proíbe que os países candidatos enviem representantes para visitar os delegados da Fifa nas cidades em que moram ou em qualquer evento da entidade sem informar a viagem por escrito. Por último, proíbe a promoção de exposições, shows ou eventos esportivos que coincidam com visitas ou reuniões de delegados.
Ao justificar as recomendações, a Fifa diz que o objetivo é "oferecer as associações nacionais interessadas em organizar a Copa de 2006 um guia para que possam evitar trabalhos, esforços e gastos desnecessários, além de proteger a boa imagem do Mundial." A Fifa lembra que no passado algumas federações e confederações nacionais efetuaram gastos desmedidos para a preparação da candidatura, um desperdício de dinheiro que poderia reverter-se em outros projetos.
Entre as restrições, está até a de fazer propaganda internacional da candidatura. "Em vez de realizar campanhas publicitárias que podem ser caras e levar muito tempo, as associações nacionais candidatas deverão dar prioridade a dois assuntos: o apoio governamental e o estudo do caderno de encargos", pede a Fifa.
O caderno tem exigências rigorosas. Os governos locais têm de garantir não só segurança do evento e a entrada no país de equipamentos, produtos médicos e alimentícios de participantes, patrocinadores e da Fifa sem o pagamento de impostos, como conceder vistos de trabalho e assegurar que a rede de telecomunicações, de transportes e de serviços médicos funcionará dentro dos padrões exigidos. Também terá de permitir o câmbio livre de divisas.
Os estádios têm de se enquadrar nos padrões sugeridos pela União Européia de Futebol. Nenhum dos estádios brasileiros atende a todas as exigências. A Fifa pede entre 8 a 12 estádios, com capacidade mínima de 40 mil pessoas, com assentos individuais de no mínimo 30 cm de altura.
Para a imprensa, a Fifa exige pelo menos 600 lugares no estádio na primeira fase da Copa e 2.000 na abertura e na final, além de 300 linhas telefônicas (1.200 na final), 200 lugares para TV (300 na decisão), 200 para rádio e 50 para fotógrafos. Cada estádio precisa ter um centro de imprensa com pelo menos 1000 m2, ar condicionado, estação de Internet, laboratórios fotográficos, agência bancária, de correios e de viagem.


