Fifa quer ação contra hooligans no Mundial
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Rodrigo Mattos 
Rio, 19 (AE) - A segurança é a maior preocupação do Comitê de Inspeção da Fifa, que encerra amanhã no Rio a visita ao Brasil com o objetivo de avaliar as condições do País em promover a Copa de 2006. Segundo o presidente do Comitê de 2006, Zico, os inspetores da Fifa fizeram muitas perguntas sobre as medidas que o Brasil vai tomar para evitar a ação dos hooligans.
"Acredito que eles passaram a ficar apreensivos com esse tema depois do que aconteceu na Copa da França", disse, referindo-se à ação de torcedores alemães e ingleses que criaram distúrbios durante a competição de 1998. Caso o Brasil seja confirmado como sede da Copa do Mundo, a polícia brasileira vai receber informações sobre os hooligans dos policiais europeus. "Eles devem enviar a identificação dos torcedores violentos."
Após receber o Comitê da Fifa, o governador Anthony Garotinho disse que os inspetores ficaram satisfeitos com a fiscalização realizada da final do Mundial de Clubes. "O fato de os torcedores terem sido revistados nos ônibus os impressionou", contou. Na decisão, lembrou Zico, a polícia conseguiu evitar confrontos, apesar da rivalidade entre as torcidas, de Vasco e Corithians.
Uma prova de que a segurança é o primeiro item de preocupação da Fifa foi a presença do ministro da Justiça, José Dias, na reunião dos inspetores com o presidente Fernando Henrique Cardoso em Brasília. O ministro afirmou que deve haver uma integração das polícias estaduais em caso de vitória da cadidatura brasileira.
Para Zico, o encontro do presidente do Comitê de Inspeção, Alan Rothenberg, com autoridades brasileiras foi importante. "A Fifa pode comprovar que o presidente, governadores e prefeitos estão apoiando a candidatura", explicou. O ex-jogador acredita que as chances do Brasil aumentam por ser o único candidato da América do Sul. "Na áfrica e na Europa, os votos dos países serão divididos, quanto a nós deveremos ter total apoio do continente."
Em relação à impressão dos inspetores do que viram no Brasil, Zico disse que não conseguiu distinguir reações positivas ou negativas.
"Eles são muito frios e trabalham com a razão, deixando a emoção de lado", explicou. Zico observou que os inspetores fizeram anotações durante toda a viagem. Além do Rio, os inspetores visitaram Porto Alegre, Curitiba, Brasília e São Paulo.
A intenção do Comitê de Inspeção de não revelar as suas impressões ficou clara na visita ao Maracanã. Irritado com a presença de repórteres no estádio, Rothenberg recusou-se a vistoriar o estádio enquanto eles não deixassem o local. Ao perceber que os jornalista não sairiam, ele desisitiu de esperar e realizou a verificação do Maracanã com a imprensa na tribuna.
Antes de visitarem o estádio, os integrantes do Comitê almoçaram com o prefeito do Rio, Luís Paulo Conde. Após o encontro, o prefeito informou que pode contruir um estádio na cidade, caso seja necessário para ser a sede da Copa do Mundo. Segundo Conde, o estádio teria capacidade para 70 mil pessoas, custaria em torno de R$ 50 milhões e seria contruído na Barra da Tijuca ou na Ilha do Governador.


