Fifa pressiona governo e diz que Brasil pede demais
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Filipe Coutinho <br> Folhapress 
Brasília - O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, defendeu ontem que o governo brasileiro seja responsabilizado em casos de prejuízos causados à entidade por conta de desastres naturais na Copa-2014.
Esse é um dos principais impasses entre governo e Fifa na elaboração da Lei Geral da Copa, que deve ser colocado em votação na Câmara em fevereiro. O governo, com o apoio da oposição, defende que a União pague os danos causados à entidade apenas em casos de ''ação ou omissão'', enquanto a Fifa insiste em colocar tragédias da natureza.
''Desastre natural e segurança no país não podem ser responsabilidade da Fifa, tem que ser do governo. Não podemos ser responsáveis por eventos deste tipo'', disse Jérôme Valcke em coletiva no Ministério do Esporte.
O secretário-geral da Fifa começou ontem, junto com o ministro Aldo Rebelo (Esporte) e o ex-atacante e hoje empresário Ronaldo, representante do Comitê Organizador Local da Copa, vinculado à Fifa, uma série de visitas às 12 sedes da Copa-2014. Foi a primeira vez que Valcke falou abertamente sobre as responsabilidades do governo em caso de prejuízos -antes, a Fifa concentrava o lobby em deputados que discutem a Lei Geral da Copa.
Valcke comparou a discussão da lei a um ''parto'' e ainda ironizou a maneira que o Brasil negocia com a Fifa a organização da Copa, que exige mais do que outros países.
''Talvez porque o Brasil é o país que ganhou cinco vezes a Copa e aí vocês acham que podem pedir, pedir e pedir. Mas na vida tem princípios e chegamos bem longe nas discussões e é o momento de acertar o acordo'', disse o secretário-geral da Fifa.
Rebelo, contudo, minimizou a polêmica e disse que os 11 compromissos firmados com a Fifa em 2007 já determinam a responsabilidade do governo. Valcke abriu brecha para que a cota social de ingressos da Copa, ao custo de US$ 25 (equivalente a R$ 45), terá que discutida por conta da ''logística'', mais um ponto polêmico da Lei Geral. ''Se vocês dão ingresso aos indígenas, vão ter que garantir que chegarão aos estádios'', disse.
Já Ronaldo disse que se dividirá na Copa entre fazer parte do conselho que tomará decisões ''estratégicas'' e ser também uma espécia de garoto-propaganda do evento. ''Meu papel, além de toda a burocracia que faz parte dentro do conselho do Comitê, é fazer com que o brasileiro acredite na Copa e fique orgulhoso'', disse o ex-jogador.
O jogador disse ainda que o Comitê Organizador Local formará um conselho com três votos, com ele, Ricardo Teixeiro e um nome a ser definido.


