Fifa lança Copa de 2010
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sexta-feira, 07 de julho de 2006
Agência O Globo 
Berlim - O pontapé inicial para a Copa de 2010, na África do Sul, transformou-se num ato em defesa do continente que sediará pela primeira vez um Mundial. Durante a cerimônia de lançamento do símbolo oficial da competição a imagem de um jogador negro dando uma bicicleta o presidente da Fifa, Joseph Blatter, irritou-se com especulações de que o país escolhido não seria capaz de concluir as obras a tempo de receber a maior festa do futebol. ''Por Deus, por Deus!'', exclamou, quando jornalistas questionaram o prazo para a entrega de cinco novos estádios, cujas obras estão paralisadas por falta de recursos.
Blatter carregou no tom politicamente correto ao comentar a escolha do país-sede. Segundo o dirigente, a Copa de 2010 será um marco histórico, que fará justiça com o futebol e os torcedores africanos. Ele garantiu que a competição levará benefícios além das quatro linhas ao continente mais pobre do mundo. ''Hoje é o dia da África. Temos a esperança de que o mundo mudará sua visão sobre o continente''.
O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, ironizou o pessimismo sobre o futuro das obras de infra-estrutura nas cidades que sediarão os jogos, orçadas em US$ 3 bilhões (cerca de R$ 6,6 bilhões). Empolgado, ele garantiu que a taça ficará com uma das seleções do continente. ''Não acreditavam quando nós prometemos acabar com o apartheid. Agora também não confiam que seremos capazes de organizar o Mundial, mas estamos superando todos os obstáculos'', afirmou.
No mesmo tom de otimismo, o presidente da Confederação Africana de Futebol, o camaronês Issa Hayatou, afirmou que a África do Sul organizará uma Copa ''tão bela quanto a da Alemanha''. ''Vamos surpreender todos os céticos'', prometeu.
Neste domingo, horas antes da final entre Itália e França, dirigentes da Fifa e da União Européia assinarão um acordo de cooperação para o continente africano. A idéia é usar a Copa como trampolim para um pacote de ajuda humanitária, que incluirá investimentos em sa© úde, educação, prevenção à Aids e campanhas de combate ao racismo. ''A força do futebol na África é tão grande que a Copa será capaz de ajudar a implantar programas de educação e ajudar comunidades de todo o continente'', afirmou o porta-voz da Comissão Européia, Amadeu Altafaj.
Durante a cerimônia, o secretário-geral da ONU, o ganês Kofi Annan, agradeceu a Blatter por levar a Copa para a África e elogiou a Alemanha pela organização do Mundial que termina amanhã. ''O governo e o povo alemão ganharam, embora a seleção do país tenha ficado fora da final'', disse.


