Fifa isenta CBF no caso Carlos Alberto
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Agência Estado 
Florianópolis - A Fifa descartou ontem a hipótese de a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ser responsabilizada pelo fato de um atleta - Carlos Alberto, do Figueirense - ter supostamente fraudado documentos para atuar no futebol com idade adulterada. O jogador já admitiu que tem realmente 28 anos e não os 23 anos alegados até então.
''A CBF não teve participação nisso. É uma situação muito difícil de se detectar e que ocorre com frequência em vários países, principalmente com jogadores da categoria Sub-17'', disse o secretário-geral da Fifa, Urs Linsi.
O funcionário da Fifa está no Brasil para acompanhar jogos do Campeonato Mundial de Futebol de Areia, que está sendo disputado na Praia de Copacabana. E, ontem, ele participou de uma entrevista ao lado do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, num hotel da zona sul do Rio.
De acordo com Linsi, não há como se contestar o título do Brasil de campeão mundial Sub-20, conquistado em 2003, nos Emirados Árabes, do qual participou o volante Carlos Alberto. ''O prazo para contestações daquela competição acabou há muito tempo. E o Brasil ganhou o torneio com todo o mérito'', garantiu o funcionário da Fifa.
Lágrimas - O volante Carlos Alberto admitiu na noite de quarta-feira, em entrevista a emissoras de rádio e TV de Santa Catarina, que em 2000 usou a data de nascimento de um amigo para falsificar sua identidade e poder atuar como se fosse cinco anos mais jovem pelo Joinville.
''Eu precisava muito jogar, foi por isso que eu fiz essa besteira'', afirmou às lágrimas, recordando sua infância pobre, no interior do Rio de Janeiro. Nascido em 1978, Carlos Alberto jogava com identidade de 1983.
O ''gato'', como a prática é conhecida no futebol, inocentou o Figueirense e disse esperar que o clube não seja punido - o time corre o risco de perder 36 pontos por usá-lo de forma irregular em seis jogos no período de 30 dias antes da denúncia. ''Fui eu que errei, não contei nada para o clube e espero que ele não seja prejudicado'', afirmou.
Cotado para jogar no São Paulo em 2007, Carlos Alberto, que pode ser suspenso por até dois anos, disse que já vinha pensando em revelar a verdade e não sabe o que fará a partir de agora. ''Tinha dia que eu chegava triste ao clube, mas pensava em outros casos que aconteceram, como o do Sandro Hiroshi, e não esperava que ia acontecer comigo. Agora é só tristeza, vou bater umas peladas e por a cabeça no lugar para não fazer mais besteira.''
O meia Marquinhos Paraná afirmou que os companheiros estão na torcida por Carlos Alberto. ''Ele vai pagar pelo que fez, mas é nosso companheiro, gostamos muito dele e o clube está com ele para o que der e vier'', afirmou.


