Fifa ignora protestos durante Confederações
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra, Suíça - Ao descrever os eventos de 2013 em documentos enviados a federações de futebol de todo o mundo, a Fifa silenciou sobre o fato de a Copa das Confederações ter ocorrido em meio a protestos de rua no Brasil. Em seu informe anual divulgado ontem, não houve nenhuma linha sobre as manifestações que chegaram a ameaçar o evento.
O documento, considerado como o principal informe anual da entidade, admite que o torneio no Brasil foi um "importante teste" para a Copa do Mundo e que deu "lições valiosas e destacou exigências extras que terão de ser implementadas em um número de áreas importantes". "De uma forma geral, a Copa das Confederações deu aos torcedores o sabor do que podem esperar para a Copa de 2014, tanto dentro como fora de campo", indicou.
Mas o texto não fala em nenhum momento de forma explícita sobre a reação de parte do público brasileiro. "Com técnica sublime, gols espetaculares e jogos emocionantes, média de público acima de 50 mil pessoas e uma atmosfera sem comparação nos estádios, a Copa das Confederações no Brasil em 2013 não foi apenas um evento de aquecimento para a Copa do Mundo de 2014. Foi um torneio popular e altamente divertido", apontou o informe.
O evento foi marcado por manifestações populares nas sedes dos jogos e pela exigência por parte da Fifa de que o governo atuasse para garantir a proteção de jogadores e todos os envolvidos no torneio. A crise nas ruas aprofundou a tensão entre a entidade e as autoridades, enquanto seleções e patrocinadores chegaram a alertar que poderiam abandonar o evento.
Mas, para a Fifa, a descrição do evento não incluiu essa realidade. "Organizamos com sucesso a Copa das Confederações no Brasil em junho, o que deu um aperitivo da excitação que podemos esperar para a Copa de 2014", apontou o texto. Para a entidade, o Brasil bateu a Espanha na final diante de uma "torcida em júbilo" no Maracanã e que cantou o Hino Nacional "como se fosse a nação inteira".
No documento, a Fifa também cita a busca por ingressos para a Copa, as vendas de direitos de televisão, a renda de marketing, o interesse global pelo evento e até como o sorteio das chaves do Mundial, em dezembro, na Costa do Sauipe (BA), foi popular.


