Londrina, 16 (AE) - Os árbitros escalados para o Torneio Pré-Olímpico receberam hoje determinação dos instrutores da Fifa em Londrina para coibir a violência com máximo rigor na competição e expulsar os jogadores que cometerem faltas ríspidas
como os carrinhos que causem risco ao adversário. O representante brasileiro da comissão de instrutores, Armando Marques, deixou claro que o Campeonato Mundial de Clubes serviu como laboratório de observação para os árbitros do Pré-Olímpico.
"Essa festa que virou a área técnica não vai ser permitida no torneio", disse, criticando os que assistiram aos jogos em locais proibidos - uma referência indireta ao vice-presidente de Futebol do Vasco, Eurico Miranda. O extremo cuidado com as arbitragens foi tomado três dias depois da avaliação feita pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, sobre o nível das arbitragem no Mundial. Entre outras coisas, Blatter condenou a conivência dos árbitros com jogadas violentas e citou o carrinho como exemplo.
O mais prestigiado entre os cinco instrutores, Armando pediu aos árbitros que acompanhem os lances a uma distância não superior a 10 metros. "No Mundial foi um caos; é melhor nem falar", comentou. Depois Armando acrescentou que os árbitros que trabalharam no campeonato vencido pelo Corithians tinham a sorte de não ser brasileiros. "Senão toda a imprensa do País estaria questionando com acidez até agora o que se viu." O presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reconheceu, porém, a existência de uma lacuna entre exigir rigor em reuniões com os árbitros e fazer com que cumpram o determinado. Para o Pré-Olímpico, eles vão ter de usar chuteiras com travas, e não tênis de futebol soçaite, como frisou Armando. Ele acompanhou os exercícios físicos do grupo e elogiou a forma de todos, cujo desempenho em corridas e testes de fôlego foi acima do esperado.
"Estão todos bem fisicamente, o que não quer dizer que apitem bem." Ao todo no Pré-Olímpico trabalharão dez árbitros e dez assistentes - cada um dos países inscritos no torneio cedeu um árbitro e um auxiliar para a competição. Os do Brasil são Luciano Augusto Almeida, do Distrito Federal, e o bandeira carioca, Hílton Rodrigues. O torneio é dividido em dois grupos de cinco seleções - um deles em Londrina e outro em Cascavel - e os árbitros só apitarão jogos em que não estiverem envolvidas as seleções de seus países.
Armando ficará no Paraná até o fim do torneio. Ele acumulará a função de instrutor da Fifa com a de presidente da Comissão de arbitragem da CBF. Daqui, ele escolherá os árbitros para as Copas Regionais e o Torneio Rio-São Paulo. "Só em 16 dias esse ano, fiz a escala de 92 juízes; em 1999, fiz isso 977 vezes." Ele anunciou que o árbitro Oscar Roberto de Godoy tranferiu-se da Federação Paulista para a Federação do Paraná e também que o pernambucano Wilson de Souza Mendonça foi liberado pela CBF para trabalhar no Japão.

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