As regras do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 98 dão à Fifa poderes quase absolutos para definir as oito chaves, com quatro seleções em cada. No conteúdo, a sorte terá pequena influência no sorteio que ocorrerá na quinta-feira, em Marselha (sul da França), a partir das 15h55 (de Brasília). Critérios políticos, comerciais e esportivos impedirão, na primeira fase do torneio, que as equipes mais fortes se enfrentem, dificultando o esvaziamento da Copa com a eliminação precoce de muitos times tradicionais.
Uma ‘‘guerra’’ de bastidores envolve as confederações da Europa e da África na disputa pela oitava e última ‘‘cabeça-de-chave’’. A primeira decisão política é sobre os ‘‘cabeças’’, em tese as melhores equipes de cada grupo. Os dois primeiros são o Brasil (campeão mundial), na chave A, e a França (time anfitrião), na C. Assim, se as duas seleções vencerem seus grupos na primeira fase, só vão se encontrar na final. A definição da Fifa sobre os outros seis cabeças, que enfrentam adversários teoricamente mais fracos na primeira fase, ocorrerá hoje.
São dadas como certas Itália, Argentina e Alemanha. Cinco países europeus reivindicam as outras três vagas: Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica e Romênia. Como ser cabeça-de-chave dá uma evidente vantagem, a Confederação Africana quer uma vaga. Pelo critério anunciado pelo secretário-geral da Fifa, Joseph Blatter, será impossível. A fórmula a ser utilizada combina o desempenho nas três últimas Copas e a colocação no ranking da Fifa. A posição na Olimpíada não será considerada, o que prejudicará a Nigéria, campeã em Atlanta-96.
Para evitar o confronto de muitas equipes de cada continente no mesmo grupo, a Fifa vai separá-las nos receptáculos em que vai estar o nome de cada seleção - oito em cada um - no sorteio. Não deve haver grupo com mais de duas equipes européias (15 no total) e nenhum com mais de uma dos outros continentes.

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