Fifa discute adoção de mais auxiliares
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quarta-feira, 02 de dezembro de 2009
Agência Estado 
Cidade do Cabo - O presidente da Fifa, Joseph Blatter, tem grande chance de fazer valer sua vontade mais uma vez, hoje, e aprovar a adoção de mais dois auxiliares de arbitragem em partidas de futebol já a partir da Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. O Comitê Executivo da entidade vai ser reunir extraordinariamente na Cidade do Cabo e o reforço na arbitragem vai ser o tema principal dos debates.
Apesar da oposição de alguns integrantes do Comitê, a polêmica criada com o gol que colocou a França no Mundial - Gallas marcou contra a Irlanda, após Henry ter ajeitado a bola com a mão de maneira escandalosa -, conspira a favor de Blatter.
Nas últimas semanas, o dirigente tem feito uma espécie de cruzada a favor da introdução de um árbitro assistente atrás de cada gol. Sempre que pode, toca no assunto. ''O árbitro tem apenas dois olhos e nem sempre consegue ver tudo'', disse. ''Se tivéssemos um assistente atrás do gol, certamente ele teria visto a irregularidade (de Henry). Temos de agir para minimizar os erros já na Copa do Mundo de 2010''.
Caso a Fifa aprove a medida nesta quarta, o International Board, órgão responsável pelas regras do futebol, terá até o mês de março para oficializá-la. Do contrário, não haverá tempo hábil para que se tenha mais dois assistentes já neste Mundial.
Mas prazos não são problemas para Blatter, que defende a medida acima de tudo como forma de esvaziar outras tentativas de controlar a arbitragem, como o uso da eletrônica para tirar dúvidas ou a adoção da ''bola inteligente'' - um chip colocado na bola permite saber se ela entrou ou não no gol em lances de difícil decisão. Os dois assistentes, afinal, são seres humanos e não artifícios tecnológicos.
O principal entusiasta da ideia, aliás, não é Blatter e sim o presidente da Uefa, Michel Platini. O francês foi decisivo para que o dirigente mundial passasse a considerar a alternativa, ainda no ano de 2007. Blatter, então, autorizou a experiência em algumas competições. Atualmente, a Liga da Europa (antiga Copa da Uefa) tem árbitros assistentes atrás dos gols em seus jogos.
Consciente de que ainda há resistência entre os membros do Conselho, Blatter preocupa-se em não deixá-los em situação constrangedora e diz não saber se a proposta será aprovada hoje. ''É possível que seja aceita, mas temos de ver se é viável''.
É sua maneira de fazer parecer que os integrantes do Conselho decidem de acordo com seus princípios. Por isso, Blatter disse que submeterá a seus pares o absurdo pedido da Irlanda para que seja a 33. integrante do Mundial, como forma de compensação por ter sido prejudicada. O presidente da Fifa sabe que não há a menor chance de isso ocorrer, como ele próprio acabou por admitir nesta segunda (veja box ao lado).
O Comitê Executivo também vai discutir temas como o escândalo de apostas ilegais no futebol mundial e o fim da repescagem nas Eliminatórias. A Fifa está assustada com a violência na disputa entre Argélia e Egito, mas, para não reconhecer, Blatter diz que é injusto o destino de uma seleção ser definido em uma ou duas partidas. Esquece-se de que, se uma equipe chega à repescagem é porque não teve competência para assegurar a vaga nos vários jogos que fez em seu grupo.


