São Paulo, 17 (AE) - Os membros da International Board, órgão vinculado à Fifa, vão se reunir este sábado, em Cardiff, no País de Gales, para discutir uma série de idéias que têm como objetivo diminuir a margem de erros dos árbitros nos jogos de futebol. O tema mais polêmico da reunião é a proposta do presidente da Fifa, Joseph Blatter, de colocar dois juízes para trabalhar durante o jogo, cada um sendo responsável por metade do campo. Outra idéia é a instalação de um olho eletrônico na linha do gol para por fim aos lances em que fica no ar a dúvida se a bola entrou ou não.
Um representante de cada federação britânica (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) mais quatro membros da Fifa vão discutir a idéia. Com seis votos, o projeto será considerado aprovado e colocado em prática em caráter experimental.
A idéia de se utilizar dois árbitros em uma partida de futebol está causando muita discussão. Reunidos no início da semana em Faro (Portugal), os juízes da Europa mostraram-se contrários à proposta. "Para saber se vai dar certo, é preciso prová-la em situação de extremo estresse, com a presença de muitas câmeras para descobrir eventuais erros", argumenta o escocês Hugh Dallas.
No Brasil, o projeto divide opiniões. O sergipano Sidrak Marinho dos Santos acha provável que a presença de dois árbitros provoque muita confusão por diferenças de interpretação dos juízes. "São duas cabeças diferentes, é muito difícil encontrar dois árbitros que tenham os mesmos critérios de arbitragem." Já o paulista Paulo César de Oliveira, que substituiu Sidrak no quadro de árbitros da Fifa, aprova a medida. Paulo César sugere que seja traçado um perfil de cada árbitro (tem os mais moderados, os técnicos, os autoritários) para que sejam escalados dois com o mesmo perfil.
Ele acha que os dois árbitros têm de ficar namorando o tempo todo para tomarem decisões iguais nas duas metades do campo. "O futsal, o basquete e o vôlei utilizam dois árbitros, o futebol pode se modernizar também", diz Paulo César. "Trabalhando só com metade do campo fica mais fácil para estar sempre em cima da jogada."
Olho no lance - Os britânicos pretendem testar o uso do olho eletrônico sobre a linha do gol. A idéia é evitar erros decisivos como o famoso lance da final da Copa de 1966, em Wembley, quando o chute do inglês Geoffrey Hurst bateu no travessão, pingou na risca e saiu. O árbitro confirmou o gol, mas as imagens mostraram que a bola não tinha entrado.
Na reunião dos árbitros europeus, 35 dos 37 juízes consultados aprovaram a instalação do mecanismo. O alemão Helmut Krug anulou semana passada um gol do francês Anelka no amistoso contra a Inglaterra quando a bola tinha ultrapassado a linha de gol. "O lance foi tão rápido que nem eu nem o assistente pudemos ver com precisão", admitiu Krug.
Sidrak Marinho acha a idéia boa. "Esta é uma decisão precisa", argumenta. O problema que já foi levantado pelo ex-presidente da Fifa, João Havelange, é que são poucos países do mundo que têm condições de instalar equipamentos sofisticados como olho eletrônico e telões nos seus estádios.
A International Board pretende também punir os jogadores que simulam terem sofrido com cartão amarelo, seja qual for o local em que o lance ocorrer. O juiz reserva terá mais poder para controlar a ação dos técnicos que vão à beira do campo dar instruções aos seus jogadores.

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