A busca por novos mercados pode custar a queda no nível técnico da principal competição de seleções
A busca por novos mercados pode custar a queda no nível técnico da principal competição de seleções | Foto: Michael Buholzer/AFP



Zurique - De olho em lucros inéditos e de consolidar o futebol como o principal esporte no planeta, a Fifa promoveu a maior reforma da história de quase cem anos da Copa do Mundo. Além de uma expansão para incluir 48 seleções, a entidade mudou as regras do torneio e abriu a possibilidade de que continentes possam repartir os jogos em diversos países. Nesta terça-feira (10), o Conselho da Fifa aprovou a mudança de forma oficial e votou a favor da decisão, incluindo 16 novos países no Mundial.
Na preparação para a decisão, a entidade havia realizado dez mil simulações apontando que, em termos de qualidade, o melhor seria manter a Copa com os atuais 32 países. Mas, para atingir seu objetivo de expandir o futebol e a renda da entidade, a única opção encontrada pelos cartolas foi a de abrir mais vagas.
A projeção é de que a renda salte em 35%, com uma audiência recorde em novos territórios que jamais sonhariam em se classificar, principalmente na Ásia. Com a expansão, existem boas chances de que a China também entre na Copa, um sonho de Pequim e dos dirigentes na Fifa.
Pelo projeto aprovado, serão 80 jogos e pelo menos seis horas de futebol por dia. Com quatro partidas por dia, a própria entidade admite que será "um desafio" erguer uma infraestrutura capaz de acomodar o projeto.
Para que isso seja possível, a Fifa vai promover mudanças radicais nas regras do jogo. O primeiro é o fim do empate, com todos os jogos sendo definidos em pênaltis em caso de as partidas não tiverem um vencedor durante o tempo de bola rolando. Além disso, até 2026 a esperança é de que a tecnologia já esteja avançada e de que polêmicas possam ser facilmente resolvidas por meio vídeo ou outros auxiliares.
Estão ainda em estudos medidas como a autorização de um maior número de substituições, na esperança de manter elevado o ritmo de jogo.

CONTINENTAL
Para garantir ainda que o novo projeto possa encontrar uma sede capaz de ter 12 estádios novos, 64 campos de treinamentos, 48 hotéis para as seleções e uma segurança reforçada, a Fifa vai abrir a possibilidade de que diversos países se apresentem de forma conjunta para sediar a Copa.
Um dos temores das federações era de que, com o novo projeto, as futuras sedes se limitassem a grandes países como Estados Unidos, China, Alemanha ou Japão.
Mas a Fifa, a partir de 2026, permitirá que uma Copa possa ocorrer em mais de três países ao mesmo tempo. Isso, segundo a entidade, reduzirá o custo para cada uma delas. Se o Mundial voltar para a Europa em 2030, por exemplo, ela poderia ser espalhada pelo continente. No caso da América do Sul, o evento poderia ver uma aliança entre Argentina, Uruguai e Chile.
O pesadelo organizacional ainda fica mais complicado se for considerado que o país ou continente sede tenha de receber 48 torcidas diferentes.

RISCOS
Entre os críticos das propostas, o principal temor é de que o que parece ser um salto na renda acabe sendo um tiro no pé na qualidade do torneio. Patrick Nally, o homem que montou o esquema de marketing da Copa nos anos 1970, alertou que a expansão pode acabar reduzindo o valor do torneio, diante do exagero de jogos.
Em 2016, pela primeira vez em 30 anos, houve uma fatiga na audiência na Inglaterra em relação ao futebol. A conclusão foi de que havia "muitos jogos" ao vivo. Para a Fifa, isso seria compensado por novos territórios e populações que passariam a fazer parte da "festa".
A meta também é de ter 60% da população mundial envolvida no futebol nos próximos dez anos, consolidando a modalidade como o esporte mais popular - e rentável - do planeta.

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