Fifa aperta cerco contra a homofobia
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domingo, 02 de fevereiro de 2014
Marcel Rizzo<br>Folhapress 
Zurique, Suíça - Depois do combate à discriminação racial, a Fifa inicia campanha contra o preconceito sexual no futebol. O tema ainda é o principal tabu do esporte, com pouquíssimos casos de atletas assumindo publicamente ser homossexual.
O recente anúncio de Thomas Hitzlsperger, de 31 anos, um ex-jogador alemão que participou da Copa do Mundo de 2006, admitindo ser gay rendeu apoio público da Fifa e a promessa de rigor na punição se casos de preconceito forem identificados.
Na festa que elegeu os melhores do futebol em 2013, mês passado, em Zurique, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, fez um discurso apenas para os convidados e para os jornalistas presentes, antes do início da transmissão do evento para o mundo.
E, desta vez, junto com a preocupação a ofensas raciais e religiosas nos estádios, que já rendem multas e suspensões a clubes, jogadores e torcedores, Blatter citou também que é necessário atenção com o preconceito à opção sexual dos atletas.
"Não importa a cor, não importa quem é a escolha para ser seu parceiro (em um relacionamento). O que importa no futebol, o que tem de importar no futebol realmente, é como o jogador se comporta dentro de campo", disse o dirigente.
A Fifa deve eleger Hitzlsperger, que jogou por Lazio (ITA) e Aston Villa (ING), entre outros times, como porta-voz contra a discriminação à orientação sexual dos jogadores de futebol.
No papel
As sanções para o preconceito contra gays ou bissexuais são as mesmas para casos de discriminação racial ou religiosa.
Uma resolução elaborada no último Congresso da entidade, realizado em maio de 2013, em Maurício, definiu dois níveis de punições.
Na primeira ofensa, e se for considerada de menor grau pelo Comitê Disciplinar da Fifa, a pena pode variar de advertência a multa, suspensão ou o clube jogar em estádio com os portões fechados, em caso de manifestações racistas de seus torcedores.
Na reincidência, ou se a primeira ofensa for considerada grave, pode haver perda de pontos, eliminação da competição e até o rebaixamento, no caso dos clubes e suspensões mais longas no caso de atletas.
Torcedores também estão sujeitos a punição e podem ser proibidos de frequentar estádios por dois anos.
A discriminação sobre a orientação sexual é, na análise de membros da Fifa, a mais difícil de ser detectada porque acontece normalmente dentro do vestiário dos próprios clubes.
Como normalmente os jogadores se negam a revelar essa opção publicamente, não há o ato discriminatório público, de torcedores, por exemplo.


